foi assim que aconteceu (3)

há muito tempo atrás, antes do politicamente correto, da asae, da validade dos produtos nas embalagens, vendiam-se chupas como hoje. só que estes, para os agarrarmos, traziam, não um pauzinho como atualmente, antes pequenas réplicas de ferramentas em plástico. naquele dia, o meu chupa era azul, uma bola azul a abarrotar de açúcar e corantes, e acompanhava-o um pequeno (5 a 6 cm) serrote de plástico amarelo. uma vez na rua, era para brincar, não para estar parada. assim, ignorei todos os alertas/avisos de que não deveria correr enquanto tivesse o chupa-chupa na boca. tudo bem, pensei eu…correr não corro. e saltar de um muro, posso? e numa tarde de brincadeira de polícias e ladrões, quando  estava quase a apanhar o meliante, saltei do tal muro e, ao cair inteirinha daquele pulo olímpico…glup. ups! glup? – para tudo! – gritava eu, agitando os braços para os meus colegas detetives – para tudo, que eu engoli um serrote! eles, puseram-se logo à paisana e deram de frosques. eu fui para casa, (caladinha) comi e dormi mal. entretanto a natureza seguiu o seu curso e cá estou para contar a história. a frase “eu engoli um serrote” criou uma lenda urbana : eu. venerada por toda a garotada vizinha, ganhei estatuto de celebridade. os quinze minutos de fama já ninguém me tira.

boletim das quatro

de cusquice  em cusquice, chego à página no facebook, “reciclagem, jardinagem e decoração” onde achei estas duas imagens muito interessantes.  a primeira, ilustra uma luta de há anos pelo meu território num certo lugar a que tenho direito no “meu leito de dormir”. eu sou muito territorial; claro que não sou fundamentalista, mas gosto de pensar que tenho espaço suficiente para me deslocar quando e pra onde quero. tem sido uma luta difícil, principalmente em momentos  que, acordada, constato que mais uma vez foi “violado o acordo” e há usurpação flagrante. chamar o usurpador à razão é caso para muita habilidade e jogo de cintura. devagar lá vou levando a minha avante. muitas vezes perco esta guerra: refilo, empurro, emburro, suspiro e revolto-me. com esta força anímica, consigo finalmente repor os níveis de equidade e fica tudo em paz. acontece ter que fazer este procedimento mais que uma vez, o que leva a reunião urgente para discutir ocorrências noturnas, que parecem alheias a um dos elementos presentes. coisas. mas eu sou boa de argumentação e não cedo. quando tenho razão: ” a mim! ninguém me cala…!”.findo o primeiro ponto, passo  já à segunda imagem. estes grãos de café, aromatizam e ajudam a organizar. parece-me bem. o cheirinho do café, junto com o duche, pode ser uma boa receita para um acordar mais rápido.

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tudo, na tal página…

apresentações e agradecimentos

não sei se seria necessário este post, mas aqui fica como uma espécie de fundamentação e apresentação de motivos.

durante algum tempo tive uma “sociedade” num blog com comparticipação maioritariamente feminina. era uma espécie de tamagochi, muito bem alimentado todos os dias.o único sócio, “bimbodependente” despendia tanto tempo na elaboração dos seus cozinhados no seu robot de eleição (abrir parêntesis), venera-a como uma deusa grega (fechar parêntesis), que rareava nas suas contribuições escritas . entretanto, também as minhas sócias se começaram a fazer preguiçosas, e fiquei eu sozinha coma aquele “menino” nos braços. em conversa com duas pessoas que considero amigas, (gira aos quarenta e blogotinha), que andam nesta lides há muito mais tempo, entusiasmaram-me a ter um cantinho só meu. não me parecia difícil, achei que dava conta do recado. veio o nome, e mais o que era preciso para parecer bonitinho. decidi que seria um espaço para falar de tudo e de coisa nenhuma. estou aqui por minha conta quase há três meses…iniciei-o no dia 3 de agosto, antes de ir a banhos.  não estou nada arrependida. como boa libriana sou muito indecisa, e andei a engonhar até dar isto como um dado adquirido. agora que já cá estou, não escondo o facto. no meu trabalho muita gente sabe e não sou maltratada por isso. antes pelo contrário. tenho muita sorte. cá em casa, a minha agente (filha) fez o trabalho visual. marido, farto de saber o nome de batismo, pergunta-me constantemente como se chama aqui o estaminé.,. eu informo. empreitada iniciada, compete-me dar algum nível a este espaço, e não dar azo a arrependimentos. agora, os agradecimentos: às pessoas que me apoiaram muito obrigada. aos que vêm até cá e espreitam muito obrigada também. mesmo sabendo que há pessoas que se desembaraçam na escrita muito melhor do que eu, tenho a dizer em minha defesa, que isso não me preocupa, porque aqui não há pretensões a coisa nenhuma.

viagem atribulada

eu gosto de andar de comboio. faço-o sempre que vou ao porto sozinha ter com filha atrapalhada com alguma logística. aquela viagem não foi exceção. otimista e um bocadinho tontinha, nem me lembrei de comprar o bilhete pela net.  quando naquela sexta –feira, àquela hora quis um lugar, ficou difícil. – nem em primeira? – nada! e o alfa? a esta hora não para aqui. –bonito serviço! e agora? esperam-me.-já desesperava! – ora bem, deixe ver, faltam menos de 5 minutos, este lugar não está ocupado, é sempre reservado para deficientes, mas posso vender, porque não há quem o ocupe. muito obrigada. lá vem ele, entrei, e afinal o lugar estava ocupado. a menina explicou-me que vinha noutra carruagem, mas teve de vir para ali, se eu não me importasse trocávamos assim. está bem! pensei que fosse acompanhante da senhora do lado que pudesse ter algum problema. fui. pedi licença e sentei-me. junto à janela. como eu gosto. tirei  a revista e ainda não tinham passado 5 segundos, pergunta-me o passageiro do banco ao lado: – qual é sua graça? mal refeita da surpresa respondi-lhe seco: – maria!  muito prazer! queirós! (o prazer era unilateral)! revista… rápido, rápido. tento ler. sem sucesso. – é falta de educação estar a ler quando os outros perguntam o nome e querem conversar- queirós dixit! – eh, lá! querem ver que temos cena?- eu a pensar. adverti queirós de sua graça, que me deixasse em paz. queria ler e fazer a viagem calada. a partir dali foi uma inquietação.  tive de me levantar, recorrer ao meu lugar do bilhete, e comentei com a pequena que já tinha percebido a razão da sua saída.  pedi ao revisor que tratasse do assunto. acrescente-se que não quis acreditar que queirós era um incómodo para os (as) passageiros(as). por fim, lá percebeu, levou-o para a carruagem do pessoal da cp.  consegui chegar sã e salva. à saída em campanhã, mil olhos como um radar. do queirós nem sombra. nunca mais fui ao porto naquele horário, não fosse o diabo (isto é, o queirós) tecê-las!

downton abbey

tempos houve que eu não via televisão. foram bastantes anos. tinha a ver com a possibilidade em sair à noite. daí que, a televisão, era, e passo  a citar: “uma cena que não me asisstia”. mas depois vieram outras responsabilidades. comecei a ficar mais em casa (eu gosto até muito), e dediquei a minha atenção às séries que foram aparecendo. atualmente, os canais fox, fox life e axn, acabaram por trazer um leque variado que até dá para gostos bem diferentes, penso eu. ontem, vi o primeiro episódio da quarta temporada de downton abbey. vi a primeira, segunda, mas a terceira não a levei tão a sério, e perdi drama. agora, no início da nova temporada, pus-me a par da vida pessoal das personagens que a compõem. mais que as tragédias pessoais, ou os amores incompreendidos, apesar de alguma leveza na abordagem, acho interessante  (ou tentativa, vá lá!) a forma como mostram a aproximação entre quem manda e é mandado. mr. carson é um dos meus eleitos. lady violet, a minha preferida. não me interessa muito quem faz de vilão, de boazinha, ingénua ou megera, são ingredientes próprios destes argumentos e definem-se previamente; estão lá para compor a coisa. o que também achei sempre muito interessante, e repito, apesar da abordagem levíssima, é o confronto entre passado e futuro. primeiro, foi o telefone. objeto demoníaco para mr. carson. ontem, uma simples batedeira na cozinha. a senhora patmore, não a sabe usar. daisy, uma das criadas mais novas é mestra na ótica de utilizadora. a senhora patmore pediu segredo à governanta, mrs hughes, para não a denunciar. ela não queria ficar associada ao passado, enquanto daisy seria já uma personagem do futuro. deixe lá, mrs patmore! se a senhora soubesse os anos que tem este meu telemóvel,o qual não mudo, porque as novas geringonças têm tantas aplicações não utilizáveis para a minha pessoa…

downtonabbey

adeus hora de verão,

não tarda nada o meridiano de greenwich, essa linha que desalinha a minha paciência e me desafia os nervos, vai dar ordem para passarmos à hora de inverno. se tem que ser, seja. a neura instalou-se com muita força, o que fazer ?aproveitar o sol  e ainda a hora de verão. e como?  fazendo um périplo por algumas sapatarias aqui da paróquia. filha gulosa cismou num modelito bem catita e até nem muito caro. entrar. pedir. experimentar. a seguir: o drama, o horror, a tragédia! “- não temos o 35, só o 36!” uma verdadeira amante de sapatos como ela só, (é genético), teve uma tarde negra. mais algumas experiências, e nada. e com palmilha? – olha! se calhar, era! pois foi. logo ali se experimentou e serviu. parecia uma cena à cinderela, com algumas nuances, vá. logo o sol brilhou ainda mais, e a tarde ficou perfeita. há lá coisa mais importante que um enamoramento correr bem? não há. qual é o elemento mais importante na história da cinderela? o sapato. certo? certo! os irmãos grimm sabiam-na toda. até amanhã.