desabafos de agosto, férias por todo o lado

bicho papão vs homem do saco

E o bicho papão existe? E o homem do saco existe?

Se o primeiro é mito, ou realidade, não posso afiançar, pois pelo facto, de tal entidade ser um noctívago assumido, eu, nunca abri os olhos para confirmar a sua existência no mundo real. Já o segundo, a conversa é outra. Para além de ouvir falar nele com alguma frequência  …eu ouvia-o …a sua voz chegava de  longe, mas ouvia-o.

A minha experiência profissional ao nível desta temática decorria calma e tranquila. As brincadeiras na rua sucediam-se dias após dias.

Recorrentemente: jogar à apanhada.

À vez, ficava alguém encostada à parede, a contar números o tempo suficiente para permitir esconderijo digno e inteligente.

E lá estava eu no meu turno, diligente, ali, pausadamente  1,2,3,4 e etc, e pronto! virei-me para começar a empreitada. Com o que eu não contava, naquele dia aziago,  (com os meus cinco ou seis anos), era com a presença efetiva do homem do saco: especado a olhar para mim, andrajoso como se impunha. Naquele momento, a expressão, “ ficar sem pinga de sangue” teve o maior significado de sempre. O choque, não me deixa recordar como é que fui tão depressa  até casa recolher-me junto à janela da sala, onde me sentei no chão à espera que a tremedeira me passasse.

Em casa estranharam a minha presença, mas um pregão rouco, vindo da rua “ peles, farrapos…”, deu-lhes a razão exata do meu recolhimento. Naquele dia ficou explicado como um mito pode arruinar a corrente sanguínea de uma pobre criança.

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