desabafos em rodapé

dão-se alvíssaras

A quem tiver encontrado uns óculos que me fazem muita falta.

Outra coisa que me está a irritar é o som de um berbequim de algum vizinho que teve oportunidade de o usar enquanto estive no supermercado, mas não, agora é que se lembrou. que azia!

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faço minhas as palavras de António Barreto

“Gostaria de ver algumas pessoas presas. Alguns banqueiros, empresários, administradores de empresas, ex-ministros, ex-secretários de Estado, ex-diretores gerais. Gostava de os ver presos. Toda esta tropa fandanga…” (Jornal i)

Creio que será comum a milhares de portugueses este desejo, que tem por base um sentimento de revolta contra toda a impunidade que  “esta tropa fandanga” gozou desde sempre. Tenho  a dizer que continua a gozar. Tenho a acrescentar que todos nós somos responsáveis por permitirmos que esta gente andasse e ande de cabeça erguida, apesar de sabermos que nos arruinavam a cada dia.

Para um sábado não é conversa que se tenha, mas estou com uma azia. Se calhar tenho que ir ver umas coleções de primavera -verão 2015 para ficar mais calma. Mas depois vejo os preços, e fico cá com uma azia.

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cápsula do tempo

Uma vez tive uma ideia: guardar numa caixa objetos do meu tempo:  canetas, livros, cadernos, discos em vinil, um verniz e um desodorizante, para além de um par de sapatos de plataforma dos anos 70. Naquele momento  pensava já estar a ter a ideia mais criativa do século vinte. E porquê tanta excitação? Porque, um dia, alguém iria descobrir aquela caixa e poderia assim fazer um historial das vivências que começaram no século vinte e estão agora a atravessar o século vinte e um. Tudo isto num cenário em que A Terra já não seria como a conhecemos, e havia  que tratar das memórias. Já imaginava alguém a rir dos sapatos medonhos, as canetas seriam vistas como objetos estranhos e completamente obsoletos, enquanto que o disco vinil seria mirado e remirado sem se perceber exatamente a sua utilidade. Inclusivamente, achava eu que,  teriam de recorrer  a máquinas sofisticadas de descodificação, para que percebessem a importância de tal achado. O meu delírio levava-me mesmo a pensar que tal máquina teria nesse futuro, o valor de uma Pedra de Roseta, aquela que serviu ao estudioso Champollion, para decifrar a escrita egípcia alguns anos depois da expedição realizada por Napoleão a terras do Nilo. Ensandecida pelo brilhantismo da minha ideia, já me projetava em citações na imprensa de conteúdo científico, e também naquela  ligada ao lifestyle que, mesmo no futuro, não haveria de ser muito diferente da minha contemporaneidade, e , por isso, os artigos retratar-me-iam como uma celebridade cujo génio seria muito difícil de igualar. Haveria entrevistas a descendentes  para registar o testemunho da minha simplicidade, apesar de todo o talento intelectual. Senão vejamos, a quem lembraria construir uma cápsula do tempo? Trabalhar no CERN, e haver pessoas dedicadas ao bosão de Higgs, e outras trivialidades não passariam  de ser consideradas tarefas corriqueiras por comparação ao que eu tinha proporcionado à Humanidade com letra maiúscula. Neste crescendo de orgulho e ambição, a fama não duraria apenas quinze minutos, outrossim, seria eterna. Ó clemência, para tudo se faz favor. Tocaram-me no ombro, e apontaram-me a direção de uma qualquer loja de roupa em segunda mão, ou daquelas de tendência vintage para encontrar a minha cápsula do tempo. Mais, a Catarina Portas, já me arrebanhou a ideia com a loja ” Vida Portuguesa”. Entretanto, lembrei-me que também há museus. E assim, num nanossegundo, ruiu toda uma construção teórica, que poderia vir a proporcionar um banho de eternidade à sua mentora: Eu.

E Michael J. Fox será para sempre lembrado como o rapaz do “Regresso ao Futuro”. É o destino. Cada um é para o que nasce!

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sonhos e gaiolas

Estou oficialmente numa pausa. só temo encostar-me demasiado a ela, pois entretanto tenho que pegar em trabalho que não pode ser adiado. O sol, até parecia convidativo à rua. Desisti à primeira rabanada de vento. Este, vem acompanhado de facas e navalhas e que me acertaram em cheio na bochecha, e com tanta força que me obrigaram a recuar. Uma vez cá dentro, debaixo de telha, deambulei por onde calhou. Encontrei um excerto retirado de uma obra que nunca li. Encalhei. Muito me dizem estas breves palavras. Vou pousá-las. Quem sabe, mais alguém as arrebanha.

citação-dostoievski_vida liquida

a minha gaiola é a minha cabeça.

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“o dinheiro que me deixaram”

“Depois de uma certa altura, o dinheiro não tem sentido. Ele deixa de ser o objectivo, o jogo é que conta”- Aristoteles Onassis.

O jogo que lhe proporcionou ser à época um dos homens mais ricos do mundo, não evitou que esse dinheiro se misturasse com desgostos e mortes trágicas. Ficou Athina, única neta, única herdeira. O pai da pequena não faz parte desta equação. O dinheiro, esse, também ainda não habita na conta bancária da mesma. Diz-se que tem vendido património para se ir mantendo! Ora, o dinheiro a herdar, fará desta rapariga mais uma jovem adulta que se junta a muitas outras, cujos parentes lhes fazem ou fizeram o favor  de as confortar com trocos suficientes que lhes permita viver com um nível superlativo de comodidade e segurança. Num mundo inquieto como aquele em que vivemos, onde muitos já vaticinaram a possibilidade de ocorrer uma nova guerra potenciada pela obliteração da denominada classe média, que não tendo nada a perder, perdida avança, onde fica a oportunidade de gastar o “dinheiro que me deixaram?” Está ao virar da esquina. É a psicologia da guerra que acredita que um conflito propicia ganhos pecuniários. Até hoje ainda não se enganaram. Terá sido também num jogo destes, que o avô Aristóteles amealhou?

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27 de janeiro, sou só mais uma a falar do assunto

O mundo celebra, esta terça-feira, 27 de janeiro, o Dia Internacional da Memória do Holocausto, instituído em 2005 por uma resolução das Nações Unidas e adotado pela União Europeia, no mesmo ano. A RTP, tem na sua programação de hoje um documentário denominado ” A noite cairá” . Alfred Hitchcock associou-se a Sidney Bernstein, e num trabalho que incluiu outros nomes, é possível, mais uma vez ficar estarrecido (a) apesar de tudo o que já vimos e ouvimos sobre este período que a Humanidade não pode esquecer, nem para conforto dos alemães, nem para agradar a certos países muçulmanos . Tenho pena que, sendo a RTP um serviço público, nos dê primeiro as boas vindas a Beirais, a seguir nos faça provar Água do Mar,para depois nos fazer milionários, e só após as onze e meia da noite nos dê a conhecer algo que seria muito importante ser visto por várias gerações ao mesmo tempo. É que o Holocausto não fica para a História só como um facto, um acontecimento, foi tudo isso e tem uma dimensão absurda que não é possível adjetivar.

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LIVRO

Por decisão de um homem que recebeu a aprovação e a força de um povo, 70 anos volvidos, não podemos banalizar a efeméride apenas e porque tão só, já tanto se leu, realizou  e mostrou sobre o assunto.

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