desabafos em rodapé

e quando nos fartamos de nós?

acontece-me bastas vezes estar farta de mim. nesses dias, solto-me e desembaraço-me do meu eu, e vejo-me  a partir de fora.  aborrece-me a forma como mantenho velhos hábitos pouco saudáveis para a minha cabeça. um deles é sofrer por antecipação. funciona como uma carraça, pregou-se-me à pele e insiste em não sair apesar de alguns tratamentos que, aparentemente, pareciam surtir efeito. mas é sempre sol de pouca dura. volta e não volta, estou de novo enleada nesta forma de vida. em consequência, farto-me da minha pessoa. logo a seguir, começo por reconhecer a irracionalidade desta situação. faço muitas reflexões e ponho-me quase de joelhos  a prometer que não senhor, nunca mais será assim. durante uns tempos lá vou cumprindo o prometido. mas muito depressa chega a  recaída; é aqui que percebo continuar a sofrer da maleita. tornou-se crónica. quando me inicio nestas tentativas de fazer raio x à minha pessoa, fecho depressa a máquina. é perigosa. não possuo material de segurança para me proteger dos danos colaterais. daí que, logo, logo,  me recolho e agarro em todas as camadas de que sou feita, .sacudo-me de algum lampejo de quase desprezo que tenho por esta maneira de ser, e começo de novo com promessas e determinações fortes de que é necessário passar para outro nível. um dia destes mudo, e nunca mais me farto de mim. a não ser se continuar a ceder aos pasteis de nata naquela rua que não consigo evitar. estou sempre a prometer que é o último. nunca é.

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20 thoughts on “e quando nos fartamos de nós?”

  1. Não andarás a passar muito tempo sozinha? E solinho Mia, tens apanhado solinho?
    Isso é passageiro, as hormonas são profícuas em fazer-nos trepar paredes.
    É beberes um copinho de juropiga.
    Hum?
    Abraço!

    1. Se calhar , Uva, se calhar! O solinho vejo-o pela janela, e quando o apanho, ando a fazer recados para mim. Parece que não é a mesma coisa. Mas isto passa-me! Tenho dias muito introspetivos, sem resvalar para o sentimento bucólico, isso são águas para outro moinho! Agora, vou endereçar a reclamação/indignação da cidadã Uva aos serviços administrativos do WordPress. Penso que essa tarefa me vai animar! Obrigada. É sempre um gosto recebê-la! 🙂
      Beijo

  2. Ai, por favor, não se desfaça das natas! As natas não! De certa forma eu acho que arrepender mesmo, só deviamo-nos arrepender do que nem por um momento nos fez feliz. E as natas podem ser muita coisa, mas felicidade negativa é que não são!

    1. Não, claro que não, tanto é, que hoje foi necessário comprar para os fazer chegar longe, e trouxe um comigo, fez-me breve companhia é certo, mas os seus efeitos ficarão para sempre em mim, dizem que nas ancas. pois seja! 🙂

  3. Houve uma altura em que chegava a calar-me, de estar farta de me ouvir a mim própria. Não tive outro remédio: mudar o que eu própria achava que estava mal em mim. Remédio santo. 😀

  4. Pois eu sofro do mesmo mal. faço meditações profundas e digo” Agora não mais”. Qual quê, mal vira a esquina lá estou eu a fazer as mesmas asneiras… e venho a pensar”Irra! Sou uma mentecapta!”
    Já ando um pouco farta , não só de mim, mas de fazer sempre os mesmos erros….IRRA!

  5. Mia! Então quero vê-la animada e positiva, para negativa basta eu!!
    Adorei a forma como descreveu uma parte da sua personalidade. Tem mesmo jeito com a escrita. Beijos

  6. Nunca te canses de ti Mia, muda os caminhos, os espelhos, as imagens, os pensamentos, muda-te toda mas diz sempre:”continuo a gostar de mim” … é pena estar a mais de 300km senão iamos os dois ao pastelinho de nata…e porque não levantares voo e vires às bolas do Natário?

  7. Eu canso-me frequentemente de mim (sofro por antecipação todos os dias), da minha vida, do meu trabalho, do meu clube, etc. Creio que todos nos, em certos dias, acordamos fartos de nos próprios.

    Soluções? Bem, isso deve variar de pessoa para pessoa mas eu normalmente resolvo isso com uma “tareia no corpo”: uma corrida longa e dura, daquelas que cansa o corpo de tal forma que ele não deixa a ferida do espírito doer. Depois? um banho quente (ou fresco no verão) e uma belíssima garrafa de tinto (ou branco no verão) e um filme idiota, quanto mais idiota (e parvo) melhor.

    Cumprimentos.

    1. Também alinho em filmes dados à parvoíce! As corridas nem tanto, mas uma boa caminhada, concedo! O pior , é que, enquanto caminho lá vou pensando e sofrendo. Não tenho emenda! 🙂

  8. A solução para esvaziar a mente é música, de preferência sem voz, sem “lyrics”. A boa velha música clássica ou, se me permite o conselho, “Hans Zimmer” que tem várias opções de grande qualidade.

    Cumprimentos.

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