desabafos em rodapé

admitem-se múmias ao serviço

a múmia, depois de entrevistada e admitida numa organização laboral, presta grande serviço à entidade patronal que a contratou. atrás de um balcão; não responde, não acena, não sorri, não esboça qualquer movimento muscular. centra-se apenas na tarefa que executa, logo, não perde tempo com inutilidades e o seu nível de produtividade pode ser observado em gráficos muito bem elaborados,e quiçá merecer,- um dia, numa data aleatória – um elogio,  por parte da administração. eu hoje fui atendida por um múmia. sem estabelecer sequer contacto visual, o funcionário, perdão a múmia, executou a sua tarefa com gestos mecânicos e tão repetivos, que me tentou a espreitar onde teria ele o botão, que eu desligava-lho para ver o efeito. agora que falo nisso, se calhar, fui atendida por um robot, pois as múmias estão caras devido ao peso da antiguidade que as assiste. só em ligaduras e perfume para o odor que exalam é um dinheirão. ou então, não! os robots por terem muitos fios interligados também são carotes, upa, upa! vou refletir melhor na questão enquanto guardo no frigorífico os bens perecíveis que a múmia, barra,robot, me ajudou a pesar numa superfície comercial muito conhecida.

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21 thoughts on “admitem-se múmias ao serviço”

  1. Quase apostava o meu braço direito (não fora ele fazer-me falta, e, nestas coisas, nunca se sabe), que foi a mesma múmia que me atendeu hoje de manhã: ao pesar os legumes, as duas balanças vazias, pesou-me os brócolos na primeira, eu pousei os pepinos na mesma, acabou-se-lhe o papel na balança, e disse-me: “Tem que pôr nesta”, incentivando-me a mudar os pepinos de balança, que distava, vá, 30 centímetros da outra. Foi quando eu lhe disse, delicadamente, “Claro que você não tem manitas para me passar os pepinos para a outra balança”.
    Sou uma lady :S

    1. Linda. Eu acho que a entidade patronal é a mesma, e o perfil do assalariado faz parte de uma cartilha distribuída a nível nacional. A multiplicação de múmias é já um fenómeno, prestes a transformar-se num “case study “! 🙂 Quanto a seres uma lady, isso, é um facto incontestável! 😀

      1. Eventualmente, é uma condição sine qua non para contratação – a mumificação 🙂
        Calço o meu chinelinho. Procuro que seja Prada, mas não deixa de ser um chinelinho 😀

  2. Um pouco contracorrente: essa múmia talvez esteja a precisar de um estímulo para regressar à vida; ou talvez não… Eu tive uma experiência de ressurreição que se passou comigo. Farta de lidar com uma múmia, um dia, disse-lhe qualquer coisa do, género : que lindas unhas, esse verniz fica-lhe muito bem, e estava a ser sincera, depois brinquei com o nome que por coincidência se aplica bem à personagem ” Dores”. A partir daí, as nossa relações passaram a ser bem mais vivas, e um sorriso costuma escancarar-se quando me aproximo. Moral da história, acredito que algumas múmias são pessoas tristes, com pouca auto-estima, que se sentem invisíveis… Se calhar, se lhe mostrarmos que alguém se importa, talvez uma palavra de apreço possa fazer a diferença… Não custa experimentar 🙂

    1. Esta “múmia” Bea, já a encontrei mais vezes no seu posto de trabalho, e tem sempre a mesma atitude. Não é arrogante, não é solícito, não é bem educado, não é humilde nem subserviente. É um individuo que, muito provavelmente não gosta do que faz. Terá como lema, “-não me pagam para sorrir”. Tem razão, pois não! Como me conheces muito bem, sabes que eu não sou pessoa de abordagens abruptas…então, após um cumprimento, perguntar-lhe qual a balança que seria mais indicada, receber como resposta um “grunhido”, não é agradável. Por isso, cheguei a pensar se seria uma espécie de cartilha que lhes impõe aquela postura. Não é. O colega de quem precisei um esclarecimento, precisamente no mesmo local, a menina da secção “lar e tal e coisa” que me atendeu solícita (não subserviente), e me fez chegar à mão o que precisava, e por fim, a responsável pela caixa “self-service”, muito profissional, responderam-me às dúvidas e deram-me mote a comparações. Era só isto.
      🙂

  3. quem é servido não tem culpa, mas a actual conjectura manda com muita “vida” para esse modo mumificado. ainda há pouco incentivei uma pessoa a fazê-lo, por diferentes razoes esforça-se e o seu esforço não é reconhecido por quem usufrui da sua atenção. sugeri-lhe esse modo para se proteger do que já não tem volta a dar, encarar e aceitar que são as condições que tem no trabalho e com isso minimizar o impacto que lhe provoca emocionalmente. naquele caso, parece-me que se ela o fizer ninguém repara. Para quem repara nisso nas outras pessoas, acho que hoje é importante ver um pouco mais além e múmias, para mim, é o mal menor. já atitudes prepotentes e mal educadas depende do meu dia, se estiver em modo múmia não ligo, se tiver sensível a conversa alonga-se. poucas horas antes do conselho que dei e deste comentário, pensava numa conversa que tive com um amigo relativamente a determinadas profissões, ou às expectativas das pessoas com determinada formação e com opções de emprego/sobrevivência que não as preenchem. falando da sua própria actividade em que cresceu e pode criar condições de colocar outras pessoas no terreno a trabalhar por ele, e ele por sua vez com mais tempo livre e agora a fazer outras coisas que gosta disse-me “com o tempo aquilo embrutece as pessoas” é preciso estar atento. e eu penso que hoje é isso que acontece com muitas pessoas.

    http://relevoquerevelo.blogspot.pt/

    1. Olá Ana. É verdade que os dias que nos passam à frente, ligeiros, rotineiros, nos fazem deparar com pessoas muito diferentes na forma como encaram a sua profissão. A falta de otimismo , de expetativas, e garra para mudar, acaba muitas vezes por nos fazer cair naquela assunção de que não vale a pena fazer diferente, pois nada vai mudar. As condições de trabalho muitas vezes, de facto, “embrutecem”. podemos ver por esse prisma.
      Bom dia.

  4. Presentemente assuste-se a uma proliferação de múmias devido , quiçá, à falta de estímulo e preparação.
    O portugal de todos nós está entregue a múmias, atentemos ao presidente múmia mais múmia não há
    Kis :>}

  5. Múmias são uma espécie em vias de proliferação! Porém, como já alguém sugeriu: um sorriso ou uma piadola por vezes resolvem esse problema. Eu não faço elogios porque, como sou homem, temo ser mal interpretado por uma senhora, prefiro manter o sorriso 43º e tento brincar, fazer uma piada, ou dizer uma graça, tenho obtido bons resultados (até nas finanças, segurança social, tribunais e etc).

    No entanto, faltas de educação não admito! Se mesmo com os sorrisos e educação for tratado com arrogância e faltas de educação aí a coisa corre mal definitivamente.

    1. Eu já conheço este funcionário doutros “festivais”. Considerando que trabalha numa superfície comercial que não prima pelas boas condições de trabalho, segundo consta, concedo alguma apatia, pouca vontade de ser agradável! Mas, este é sempre! Ou então, é azar meu!

      1. Há gente que por muito que se tente não vale a pena, claramente! Pode ser o caso desse espécie de ser desagradável (no caso, as condições laborais podem exacerbar a situação).

  6. Concordo com a Bea. As “múmias” que por aí proliferam, tenho em mim que são pessoas tristes e demasiado infelizes.
    Muitas são pessoas que queimaram as pestanas anos a fio para tirarem um curso superior e que, na impossibilidade de exercerem a profissão, por falta de colocação, agarraram-se ao que lhes dá oportunidade de não passar “fome”. Há múmias” e “múmias”, Mia. Nem sempre o que parece é!
    Beijinhos e um bom dia para si

    1. São com certeza pessoas tristes, Lassalete. Acredito que sim. A vida não pode ser medida só pelo nosso ângulo. As pessoas com quem nos cruzamos carregam histórias , que, por vezes, explicam estes procedimentos. Mas convenhamos que todos temos os nossos dias, e nem sempre seremos risonhos/tristonhos. No entanto, se nos dirigem apalavra, apesar de tudo respondemos, certo? Ali não aconteceu. E já é hábito! Vou lá poucas vezes, mas parece”fado”!
      Beijinhos.

  7. Todos os burros comem palha.
    Múmias podem ser pessoas descontentes com o seu percurso profissional que não podem abandonar, apesar de terem condições de trabalho decrépidas e ultrajantes, como por exemplo lhes ser contabilizado o tempo de ir ao WC, e que nunca na vida receberam um elogio da entidade patronal.
    Com o mercado de trabalho que temos e o tipo de patrões que temos é muito dificil manter o sorriso.
    Limitamo-nos a não ser mal educados e isso já é muito mais do que nos merecem certas entidades patronais.
    Tenho muito pena dessa gente que vive enclausurada na sua profissão, sem ter por onde escapar.
    Tenho muita pena mesmo. Qualquer uma dessas múmias poderia ser eu própria.
    Abraço Mia.
    Bom Dia miúda!

    1. Bom dia Uva.
      Tudo o que dizes, é infelizmente a realidade que temos. Muito do patronato português, que já não tinha sentido empresarial, com tudo o que a expressão implica, escudou-se nesta crise financeira para varrer o direito à dignidade de muitos dos seus funcionários. As condições de trabalho que inculcam um fardo a cada dia que passa, e roubam felicidade e sorrisos, é uma realidade muito presente. Quanto a :”uma dessas múmias poderia ser eu própria”, lamento discordar. Até podes estar “engaiolada” entre papeis e gabinetes muito prepotentes e potenciadores de marasmo no quotidiano, mas, a tua capacidade de reflexão, raciocínio e inteligência, se, por lado podem ser uma maldição, no sentido em que te alertam para a realidade em si, por outro, são uma ferramenta preciosa que te permite escapar à dura realidade, nem que seja pelas palavras, matéria-prima que tão bem utilizas nas tuas “construções literárias”.
      um abraço.
      Boa tarde, míuda!

  8. Não gosto que andem atrás de mim nas lojas, excessivamente solícitos, para posteriormente reclamarem a comissão das vendas, mas confesso que me sinto tentada a não frequentar mais que uma vez as lojas com o tipo de funcionário que não responde a um simples cumprimento de um cliente. Já me aconteceu… Não discuto com desconhecidos! Se não gosto de alguma coisa, não volto a aparecer. 🙂

    1. Miss Lu, não é fácil atender público. Eu nunca trabalhei numa loja, mas acredito que ter de agradar a tanta sensibilidade díspar não seja tarefa fácil. Aqui, aborrece-me porque tenho sido brindada assim como descrevo mais que uma vez. E a história tem mais contornos, que, se calhar, ajudariam a contextualizar melhor! Mas não vale a pena. Reconciliemo-nos com a dura realidade que cada um carrega muitas vezes sem alternativa! 🙂

  9. Mia, trabalhar ao balcão tem muito que se lhe diga… Eu sei do que falo! Mas nunca atendi mal ninguém, nunca deixei de sorrir ou dar informações nem que por dentro estivesse destroçada (como já aconteceu). Mas as pessoas não são todas iguais e realmente muitas vezes o patronato não ajuda nada (não se pode levantar, não se pode falar com o colega do lado… Olha que hoje já é a 2ª vez que vais à casa-de-banho…) São coisas deste género que por muito forte que uma pessoa seja acaba por descontar no cliente que coitado não tem culpa de nada!
    Mas eu como trato bem as pessoas exigo sempre ser bem tratada e já tive casos em que deixei as coisas na caixa da funcionária/múmia/mal-educada e reclamei e vim-me embora!!!
    Como costumo dizer ‘num lado pago, no outro dou dinheiro’, por isso exigo ser bem tratada como cliente, aliás como todos os clientes devem ser tratados ( a não ser que sejam mal-educados também… que os há… E aí é preciso um jogo de cintura que nem é bom)!!!!!!!!!!!!

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