desabafos em rodapé

direito à indignação (1)

estava eu muito sossegada a tentar trabalhar. mas isto de estar sossegada é um estado que não me assiste na maior parte das vezes. daí que, tendo à minha frente um longo dia de tarefas por executar, pensei melhor sobre o que fazer no imediato, e o meu bom senso ordenou-me em voz baixa que fosse comer. fui.

– um paõzinho com queijo se faz favor! – solicitei muito lampeira, enquanto olhava de revés a vitrina (vitrine?) dos bolos.

não me apetecia nenhum em particular, mas balancei quando vi aquela arrufada (há quem lhe chame “pão de deus”) tão amarelinha, ali, quase a chorar, pedindo que alguém a tirasse da companhia de dois folhados e uma fatia de bolo de chocolate.  firme, pensei que a minha opção, era de facto, a melhor. veio o pão.  comeu-se. e agora pasmai… então, não é que passados cinco minutos, tinha já apetite para mais qualquer coisa? fiquei com o estômago de tal modo carente que, parecia não comer, há pelo menos duas horas…

resolução número dois: voltar lá àquele sítio. –  e, pronto! está bem arrufadita! estavas destinada, tinha que te pôr o dente. – pensava eu, na minha humilde inocência!

e é aqui que começa o primeiro momento de indignação do dia. sim, porque há mais. voltarei mais logo com outro relato, pois não há pessoa com resmas de decência, que aguente de uma penada, tanta injustiça. continuemos, então!

ainda não tinha posto os pés no degrau que me havia de conduzir à trinca que tinha já premeditado, e eis que vejo uma colega, pela qual até tenho grande estima, mas caramba… não se faz! então não é que já se via um pires atafulhado por uma metade da arrufada?  é que  a outra parte, rodava calmamente nas papilas gustativas daquela, daquela…nem sei o que lhe chamar. e por que razão estou tão indignada? porque não havia mais nenhuma. era a última peça pertencente à categoria arrufada, barra pão de deus, barra, como quiserem chamar-lhe, que havia naquele dia, e àquela hora.

muito bem. vamos a contas. quem a tinha visto primeiro? eu!

quem a tinha já percecionado na sua rica boquinha, à espera que os dentes, esses preciosos auxiliares de rompimento físico do alimento fizessem um trabalho limpo e discreto? quem? quem? eu, pois claro!

e quem é que estava a saboreá-la? ela, com a satisfação

 e quem ficou ali  a ver, indefesa, sem reação, tal foi o choque? eu.

a partir daqui, um frémito de  indignação poderosíssimo sem possibilidade de o controlar assolou-me.

acabei por pedir uma fatia de bolo de chocolate que me custou imenso a comer, tal é o fastio que tenho por tal produto.

agora, podem ajuizar deste meu momento. venha daí  uma saraivada de críticas. não importa.

bom dia.

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24 thoughts on “direito à indignação (1)”

  1. Que apetites vorazes são esses Mia? saraivada não mando porque já choveu muito nos últimos dias mas atiro-te com uma rajada de vento, que Deus me livre! Pensando melhor, rajada também não, o mais indicado para o teu estado gravídico (de grave, não da barriga cheia, sim, porque o teu mal é a barriga vazia), dizia eu que o mais indicado seria, imagina lá….uma…rabanada de vento para te abanar um pouco e dizer:”Mia, olha a dieta!”
    Tens razão no que diz respeito à indignação, então onde é que se viu uma pilantra para não lhe chamar lambisgóia de colega comer aquilo que te pertencia (na mente é claro, para a próxima faz reserva de produto antes de saíres da loja)…bem, o ditado é muito antigo e diz que o bocado não é para quem o talha (neste caso vê) mas sim para quem o come…e ainda te referes a ela como tendo uma boquinha, bocarrona Mia, uma gulosa, incipiente, ingrata, insípida, indolente bocarrona!!!
    Se fosse eu vingava-me dela, havia de saber os seus gostos e zás arranjava maneira de lhe enfiar um laxante lá dentro, era um prazer vê-la todo o dia e quiçá a noite a correr para a casa de banho, isto se tivesse tempo já que a constipação por vezes é mais rápida que o pensamento…
    Para terminar o indignado agora sou eu, com que então um naco de chococake! Pensaste em mim mia? Não pensaste!!! está-se mesmo a ver que não…mas eu sou um género muito vingativo…daqui a uma hora vou ao Manel Natário abocar e enfardar uma dúzia de bolas de Berlim, sim daquelas a saírem quentinhas, cobertas de açúcar e canela e com um recheio de um creminho doce e amarelo a escorrer pela ranhura da bola…huuummmm! já estou a lambuzar o dedo e a língua…querias não era Mia? Anda a Viana do Castelo à rua Manuel Espregueira, mas anda depressa que a coisa esgota-se num ápice!
    Vá… venha daí a segunda ou mesmo a terceira indignação, convenhamos que é o que está a dar no momento!!!

    Beijinhos…como Mia, como???Arrufados minha amiga, arrufadíssimos, barrados e na paz do pão de Deus!

    1. bom dia, maria!
      dieta? felizmente não preciso. aliás, com tanto “olho gordo” em cima de mim, porque como à vontade quando posso e, em me apetecendo,”enfardo”, tenho de ter algum cuidado, sem dúvida, mas até agora, não tenho razão de queixa. vingar-me? não vale a pena. ela ajuda-me tanto em assuntos aborrecidos, que seria de mau tom…mas fiquei um pouco amuada, lá isso fiquei! o resto do comentário ignoro. bolas de berlim? isso é lá coisa que se coma? coisa horrível! não é nada! gosto tanto!
      beijinhos sem amuos.
      😀

      1. boa tarde mia!
        assim não vale! se te ajuda muito, até lhe devias oferecer mais arrufadas…olha, se ela leu o comentário pede-lhe desculpas por mim, não quero arranjar aqui um conflito diplomático! afinal, devia ter ficado mais impressionado é com os teus amuos de menina birrenta! não se fala mais nisso porque quando me enervo, o sangue escore-me pelas veias a uma velocidade tal que não há imuno hemoterapias que me segurem.
        Pela tua correcção neste caso vou mandar pelo correio expresso uma caixinha com duas berlinenses…espero que te satisfaças e…
        Bjo sem amuos***

  2. ahahahahah Mia…
    Tão bom 🙂 Não a situação em si, porque ficou ‘ougada’ pelo Pão de Deus (é assim que lhe chamo), mas a maneira como descreve a situação até parece que era eu na padaria 🙂 🙂 🙂
    Fico à espera da 2ª parte da indignação…
    Beijinhos***

  3. Pois, realmente há situações injustas. Mas como estamos em época de partilha podias sempre apelar à colega que assim como quem não quer a coisa te oferecesse a outra metade, sei lá digo eu.
    Pinta

    bjos

    1. não! não! eu queria mesmo a arrufadinha, mas como não pôde ser, a única forma de compensar tanta desilusão foi a fatiazinha de bolo de chocolate. um horror!:D

  4. Agora fiquei a salivar … gosto q.b. de pão de deus, mas de certeza que se há pão de deus, há também outras coisinhas jeitosas e apetitosas nessa pastelaria. Estão quase a ser 17h, acho que vou “assaltar” a gaveta dos doces! 😛

  5. Para se ser positiva depois da terrível tragédia da perda da única arrufada talvez só lembrar que o chocolate vem de uma planta e por isso foi uma opção mais saudável!

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