desabafos em rodapé

esta vida de relatórios está a dar cabo de mim

Título fraquinho, não é? Sem originalidade ou brilho apelativo.Concedo. Não posso remediar. Estou consumida.

O Sol está lá no alto a dizer-me que há pessoas a absorvê-lo sem restrições, embora sem esquecer os cuidados necessários. Da janela de onde me encontro é possível ver as agulhas dos pinheiros e outras espécies que agora não me lembram, a abanar por força de uma brisa ligeiramente fresca que as movimenta.

E eu?

Eu abano-me entre títulos, parágrafos, considerações, conclusões, relatando tudo o que me pedem. Sem cerimónia. Sem pudor. Exponho-me ao papel em branco preenchendo-o com termos técnicos ou outros mais caseirinhos. Ponho lá tudo. Não me furto ao pormenor.

Tudo isso é importante; pensamos no entretanto que poderia haver coisas mais importantes ainda.” Vitor Hugo, ” O Último dia de um condenado”

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Museu Thyssen, Vogue, Tim Walker

Museu Thyssen apresenta fotografia dos arquivos da revista Vogue. Dos quadros famosos à foto, nos caminhos da moda.

E depois fui ver. Não cheguei a Madrid que o caminho é longo, e hoje está nublado. Talvez tivesse dificuldade em virar à direita, como quem vai em frente. E, de frente para uma mostra, mesmo à mão de semear, inteiro-me da arte de transformar. Se fosse senhora de verbo com musculatura definida, entrava agora em cena um texto sobre arte, o significado da estética, e por que razão a fotografia só é dominada pelos melhores. Ter um equipamento sofisticado e caro, não faz de ninguém um especialista no ofício de bem saber captar imagens, pois não? Tim Walker, fotógrafo britânico faz-nos o favor de nos banhar os olhos com mestria superlativa. Bom dia.

TIM 1

TIM 2 TIM 3 TIM 4 TIM 5 TIM 6 TIM 8 TIM 9 TIM 10 TIM 11 TIM7 TIM12

imagens aqui e aqui

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Crónicas de um silêncio abençoado

Isto hoje é sobre vizinhos. “Os tais vizinhos”, os que  já foram protagonistas de dois registos que aqui coloquei. Para quem acompanha, sabe que cheguei a desconfiar existir uma micro empresa no ramo da coudelaria aqui, no prédio. E afirmei-o sem pudor, pois os treinos que diariamente era efetuados, a mim, eram-me proporcionados apenas por sensações auditivas, no entanto, isso, por si só, era já suficiente para tirar conclusões.  Dava para perceber que os pequenos póneis que ali viviam, tinham disciplina rígida no galope e no trote. Começava o treino logo de manhã, na descida das escadas, – o elevador, só para compras pesadas – e à noite, os gerentes da empresa tinham bastante dificuldade em silenciar a prole super-mega-hiper-ativa.

Entretanto, fez-se silêncio absoluto. Um  dia, dois dias, uma semana, e já lá vai um mês.  O silêncio que se faz sentir é tão notório que, não podia deixar de inquirir outros felizes contemplados, sobre o que se estaria a passar. De sorriso bem aberto, informaram-me que se mudaram. Instalaram-se numa vivenda que, por acaso, um dos vizinhos até sabe onde é, e espera que se deem por lá muito bem.

 Rogo agora  com  veemência, para que não haja candidatos ao apartamento vazio. Aquelas paredes e aquele chão conversam tão bem sozinhos.

Boa semana. Que o silêncio vos acompanhe.

pena

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Venham ler aqui, que eu não digo a ninguém

Vai uma pessoa e evita ouvir as notícias. De tão repetitivas já enjoam. A Europa não se entende e, afinal, é fácil de perceber porquê. Está tudo explicadinho no livro de  Umberto Eco “Cemitério de Praga” ( história passada no século XIX).

Ora acompanhem.

– “Aos alemães conheci-os, e até trabalhei para eles: o mais baixo nível de humanidade concebível. (sofrem) de hiperatividade intestinal em prejuízo da cerebral. O abuso da cerveja torna-os incapazes de ter a mais pequena ideia da sua vulgaridade. Consideram-se profundos porque a sua língua é vaga… e nunca diz exatamente aquilo que deveria, de modo que nenhum alemão sabe alguma vez aquilo que queria dizer…”

Depois sobre os franceses:

– “ preguiçosos, trapaceiros, rancorosos, ciumentos, orgulhosos ao ponto de pensarem que quem não é francês é um selvagem. São maus. É o único povo que manteve ocupados os seus cidadãos, durante vários anos, a cortarem a cabeça uns aos outros, e foi uma sorte Napoleão ter desviado a sua raiva para os de outra raça, mobilizando-os para destruir  a Europa.

E agora vêm os italianos:

“_ O italiano não é de fiar, é mentiroso, vil, traidor, viscoso na negociação (…) é que os italianos foram moldados pelos padres…”

Agora vejamos: Merkel é alemã, Hollande é francês, o Draghi e o Monti italianos. Estamos bem, estamos. E depois, os gregos; Varoufakis é o ministro sexi, Tsipras ri muito, e a mulher é que manda (li numa revista)… Desejo uma sexta-feira, plena de luz solar.