desabafos em rodapé

“pequenas notas”

Hoje, faço-me de palavras alheias. Falo de peixe. O mês de junho clama-o de várias maneiras tendo a sardinha lugar cimeiro. Para quem gosta; “Mas todo o peixe regala quando sai da rede para o lume:”…

“A raia, para ser boa, deve ser comida de caldeirada de pitau (Mira), menos em Maio, porque «raia em Maio, tumba à porta», e a faneca com três fff – fresca, fria e frita. Cada peixe tem a sua época: «a solha, no tempo do milho, come-a com o teu amigo», a sardinha antes da desova e o próprio caranguejo só lá para Agosto é que, assado na casca, atinge a perfeição. Mas todo o peixe regala quando sai da rede para o lume: tem um sabor único a mar, e até a reluzente savelha e o horrível cação, lavados e amanhados na maré, se tornam toleráveis. Quanto ao linguado, ao goraz, à corvina, à gordíssima sarda, à pescada e à saborosa sardinha, para não falar dos peixes hoje quase desaparecidos, do rodovalho, do peixe-rei, ignora-lhes o sabor e o delicado perfume quem os não trouxe do barco para casa, ainda a escorrer dentro do cabaz, sobre uma cama de algas e de limos. São então esplêndidos assados, fritos, de caldeirada, com um fio de azeite, ou preparados pelo próprio pescador sobre umas brasas. “

Raul Brandão, Os Pescadores

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