então o que é isso da Lua azul?

É uma Lua cheia que ocorre duas vezes no mesmo mês (fenómeno raro), mas a cor azul que lhe atribuem só será visível se ocorrer alguma erupção vulcânica digna de registo. Foi assim que li. Nem sei para que em dei ao incómodo de perceber se valeria a pena esticar o pescoço hoje à noite; primeiro :está tudo nublado, e se assim continuar, nem a lua amarela/esbranquiçada sou capaz de observar. Para a ver azul, teríamos de ter um vulcão com necessidade de expelir. Dispenso. Hoje não estou particularmente sensível a fenómenos desta natureza. Vivesse eu no reino de Morgana, e tratasse Merlin por tu, quem sabe o que a Lua de hoje me poderia dizer!

bom fim de semana.

“quem está muito bem, é a minha mais velha”

Casou agora no último fim de semana e foi  em lua de mel. República Dominicana. Dizem que aquilo é muito lindo. Olhe, coisa, que dantes não se usava ir. Agora, esta mocidade é muito mimada. Também, a gente tem os filhos, e quer o dinheiro para quê? Agora é que lhes faz falta. Temos que os ajudar. Já nos telefonaram, parece que  a viagem correu bem, e o hotel é muito bom. Fica num resort muito bonito. A minha mais nova diz que que não se quer casar, mas que não se importa de ir também para aqueles lados a banhos. Ela pensa que o dinheiro cai do céu. Primeiro é preciso ganhá-lo. Mas também lhe disse que o dinheiro é de quem o poupa, não é de quem o gasta. Mas isto sou eu a dizer, porque se ela quiser, conforme demos à irmã, também lhe damos a ela. Eu gosto é de cruzeiros. Já este ano fiz um. Aqui no Mediterrâneo, mas a gente já tem medo de sair de casa. Acontece cada coisa. Não viu aquela desgraça na Tunísia? Tenho uma prima que já lá esteve em férias…mas foi noutro tempo, quando andava tudo mais sossegado. Agora parece que anda o diabo à solta.

– E pronto, Dona Alice, veja ao espelho. Gosta da cor?

– Gosto sim. Vou sempre muito bem daqui. Mas digo-lhe: já lhe estou com uma saudades. É a minha mais velha, foi a primeira, que quer?

mulheres em cabeleireiro_pinterest

já se nota muita quietude

O universo blogosférico está a abrandar o ritmo. Depois de meses intensos de publicações, recolhem-se as teclas, aponta-se às malas, arrumam-se geringonças tecnológicas imprescindíveis à captura de imagens para posteriores relatos…e começa a ouvir-se, e a ler-se a palavra f-é-r-i-a-s por todo o lado. Soletra-se com tanto gosto. Aveluda-se no palato, e desfaz-se escorrendo pela garganta indo diretinha aos canais que a fisiologia determina para o efeito.  E reconforta.

Também já tenho autorização para soletrar, sorver o seu aroma, e fragmentar o seu paladar nos locais apropriados. No meio desta harmonia há sombras.Que venha um benfazejo Zéfiro que concorra para a sua dissipação. Força Zéfiro.

bom dia e boa semana.

olhar para os outros

É uma atividade que se pratica muito no território nacional. Num consultório, numa fila de cadeiras de uma instituição bancária, num gabinete ou outro qualquer local, lá estamos nós sentados, a olhar uns para os outros. Estamos à coca de quem sai ou entra. Supervisionamos. Mas,  quando há alguém que tira um livro, e resolve lê-lo enquanto espera, essa pessoa está a atraiçoar uma espécie de qualidade nata de um bom português. Essa pessoa somos muitos de nós que nos enervamos com este movimento nacional de olhar uns para os outros enquanto esperamos. Vão ler, andem. Leiam qualquer coisa. Agarrem num livro. Levem-no. Não se prendam a preconceitos. Todos os livros são bons. Pelo menos no início. Depois, quando começamos a ser mais seletivos, já nem por isso.

Mas reparo agora, de que isto de observar os outros, também é capaz de ser importante para a minha formação pessoal, se me puder ajudar a perceber que, aquela pessoa que se acerca do lugar onde estou, ao envergar uma camisola meio transparente tendo por baixo um soutien rosa com aplicações pretas, proporciona muitas e variadas leituras. Umas em voz alta, outras mais em surdina.

Não tenhas medo, ouve:

É um poema.

Um misto de coração e de feitiço…

Sem qualquer compromisso,

Ouve-o atentamente,

De coração lavado.

Poderás decorá-lo

E rezá-lo

Ao deitar

Ao levantar,

Ou nas restantes horas de tristeza.

Na segura certeza

De que mal não te faz.

E pode acontecer que te dê paz…

Miguel Torga, “Diário XIII”, Ed. de Autor

bom fim de semana