os beijos da campanha eleitoral

Estava eu, desculpem, antes de mais; bom dia. Pois estava eu a passar os olhos pelo ecrã, quando reparo que a campanha eleitoral  está já em marcha, e o procedimento  “beijo em tudo quanto mexe”  é ainda muito usado.

Como não tinha mais que fazer, questionei-me:

 – a que saberá um beijo desta natureza? beijos de campanha eleitoral?

será só a demagogia, cinismo e oportunismo, ou mais alguma coisa?

Como está calor, é possível que esta questão se derreta, e não me volte a importunar.

bom domingo

“então, minha amiga, como tem passado?”

“Eu não tenho passado, só tenho futuro.” Explico:  fizeram-me esta pergunta ao telefone, e, querendo ser engraçada, -sem que para isso, tenha no momento, grande competência – resolvi projetar-me num trocadilho desta natureza. Conversa curta, e após desligar, pus-me  a pensar no assunto. Passado no sentido de cronologia; decidi  que não vou escavar pretéritos,  e desenterrar as memórias que me trazem saudades boas doutros tempos. Agora, não. O melhor é encarar o presente que está a ser um grandessíssimo chato, e nem vale a pena sublinhar que não estou nadinha a afeiçoar-me a tal momento e, numa atitude um pouco irrefletida, estou à espera do futuro, com os olhos postos em horizontes feitos de arcos-íris. Com tanta conjugação até me esqueci do condicional. Os “ses”. Como é que me fui esquecer dos “ses”?

tema para reflexão

Isto das sardinhas, hein? Toda a gente a pensar que era um regabofe de carvão, acendalhas, abanico , tomate , óregãos e alface, e vai daí: alto! e para o baile! De desgostos, revolta e indignação, encheu-se o país. Eu, como uma, duas vezes por ano; terei exagerado, e agora deu nisto? O “Sermão de Santo António aos peixes” há de ter tido influência no assunto. Padre António Vieira é tão reverenciado…que fico a pensar!

nota: deve ser acrescentado pimento, ao regabofe acima transcrito. Bom fim de semana. Vamos ver como é que anda a lagosta…calhando, também não deve estar fácil.

já vejo todos a regressar

Eu, que nem cheguei a abalar (gosto desta palavra), revejo-me nas histórias cheias de areia, sal e iodo. Juntam-lhe ameijoas e outros petiscos, convívios tardios e está o resumo feito.E eu também recordo os meus anos anos anteriores, quando nesta altura, a este tipo de resumo lhe juntava também um aperto no estômago por ter de ir trabalhar não tardava nada, Que desperdício de “apertos”.

Agora, outra coisa, também muito acutilante.

Olhando aqui pela janela do 3º esquerdo com vista privilegiada para a meteorologia em geral, questiono-me se o verão já acabou, fez uma pausa, nunca chegou, ou adiou a sua presença.

Vamos ver.

faz de conta

Faz de conta que eu era a “bela adormecida”; de mim tinham sido afastados todos os objetos que me pudessem trazer um desfecho anunciado por uma fada de má índole. Só que nesta versão, esta “bela adormecida”,- eu- pedia para não se preocuparem com a questão do sono. Deixem-no vir, não me importo, mergulharei nele pelo tempo que for necessário, e acordarei, não com ósculos provenientes da realeza montada em corcel esbranquiçado, antes com um sacudir de ombros  e um timbre de voz vigoroso, anunciando-me que estava tudo resolvido, pois a medicina mais uma vez tinha resolvido a questão, e estava tudo pronto para um novo recomeço. Haveria banquete com moderação no sal e na quantidade de proteínas, e todo o povo deste reino, – lote 10, 3º esquerdo- exultaria de alegria por ver um dos seus elementos, o masculino, com o vigor que todos até há um tempo lhe conheciam.

Dispensávamos a fanfarra e os foguetes, por sermos mais ou menos discretos. Só mais ou menos. Mas éramos capazes de ir buscar Louis Armstrong, e pô-lo a berrar ” what a wonderful world”, e escarrapachar na janela, o livro de Miguel Esteves Cardoso, onde ele caracteriza a vida como uma meretriz, e linda, ainda por cima.

logo se vê…

à espera

Os meus dias têm sido passados à espera.Umas vezes sentada , outras vezes em pé. Estar à espera põe-nos em alerta. Percecionamos tudo. É como se tivéssemos um radar interno. Especializamo-nos em interpretações de posturas faciais. Lemos melhor nas entrelinhas. E já agora: “quem espera, desespera.”

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