desabafos em rodapé

solicitação via Brasil

Nesta semana que ainda decorre, vi-me solicitada via além Atlântico, para escrever uns parágrafos onde explicasse a razão de ter criado um blog. Não vou aqui relatar nada de novo, mas lá vai.

Corria o ano de 2005, e diziam os que mais próximos me eram no trabalho, que eu deveria entrar nesse mundo dos blogs. Afinal, a minha veia criativa ao nível escrito encontrava-se de muita boa saúde, e era uma pena não aproveitar. Declinei, pois não me sentia nada com vontade de me expôr, embora com muita privacidade (grande paradoxo) assim ao mundo virtual. E  deixei ficar. Chegou 2009. A  “febre” estava ao rubro. Tal como  a corrida ao ouro, a corrida aos blogs parecia atrair cada vez mais pessoas. Explodiam novos espaços todos os dias.  Eu, que tenho medo das combustões, resguardei-me. Nã…para quê? E depois já havia tantos, e alguns com tanta qualidade que, de certeza, eu não haveria de acrescentar mais-valias a este novo mundo.

No entanto, por volta de 2013, a partir de uma situação caricata lá pelas paredes onde trabalho, associei-me a duas talentosas escribas, – muito mais talentosas do que eu- e escrevemos episódios para uma suposta blog-novela, tudo muito ridículo, inútil e prazeroso, e que muita boa disposição nos proporcionou. A par desta situação, era também sócia de um blog, onde a pouco e pouco fiquei isolada a escrever para nenhures. Não sentia já afinidade com o registo, resolvi sair e estabelecer-me por conta própria.

Faziam sentir-se as temperaturas típicas de verão do Hemisfério Norte, quando, em agosto de 2013, abri este quiosque de palavras, gestos e sentidos. Escolher o nome levou tempo -hoje, mudava-o -, mas agora, acho que já não vale a pena. Estabeleci-me neste condomínio do wordpress, ainda não me arrependi, e tenho muitos amigos no blogger. Temos uma convivência sã e particularmente carinhosa.

Nesta fase difícil em que me encontro, com doenças pelo meio, para além das colegas com quem trabalho serem extraordinárias no apoio que me dão, aqui, neste cantinho preenchido com parágrafos, umas vezes mais interessantes, outras nem tanto, encontrei também pessoas que, apesar de não conhecer (conheço algumas pessoalmente, mas são poucas), têm sido espantosamente sensíveis à situação, e disponibilizaram-se a dar-me atenção, mesmo à distância. Que maior gratificação se pode colher? Estatísticas? Não são grande coisa, mas quem aqui chega, vem sempre com grande simpatia.

Os meus humildes textos não passam de desabafos sem pretensões, ecléticos, tendo sempre o cuidado de não ferir suscetibilidades. Deveria ser mais aguerrida na minha escrita? Não é da minha natureza. Daí que, só sendo assim transparente, me parece que vale a pena manter um blog.

A terminar, pedem-me que dê sugestões a quem quer começar um blog – não tenho competência para tal –   e que, nomeie outros, para exporem o mesmo assunto. Se não for ofensa, fico mesmo por aqui.

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22 thoughts on “solicitação via Brasil”

  1. Mia, o seu talento para a escrita é avassalador 🙂 Pessoalmente foi a sua criatividade na escrita que me despertou! Uma escrita completamente diferente do que eu estava habituada a ler… A Mia disserta sobre um tema tão bem que parece que somos nós no centro da ação! Podia tecer-lhe elogios aqui a manhã toda… Muitos parabéns por estar tão internacional e quem sabe isso lhe abra mais portas para voar 🙂
    Beijinhos grandes desta sua vizinha que está sempre cá a espreitar!!!

  2. Mia, és tão boa!…….a escrever, o que pensavas!
    Ter um blogue é mesmo isso o que dizes, ser livre e respeitar na esperança de que os outros saibam ser livres e nos respeitem! Opiniões são mesmo isso opiniões e por isso eu opino nesta santa hora…bora lá blogar!
    Beijinho com respeito de um bloguer efeminado…que é que eu disse? Ora essa! E depois…depois vou procurar consensos! 😉

  3. Mia, eu adoro este cantinho, gosto imenso de “ler-te” e já não passo sem uma visita (quase diária). Tenho pena de nem sempre conseguir comentar, mas já sabemos como são as nossas vidas… 😦
    Tenho a dar-te os parabéns, agradecer cada linha que escreves e desejar que por aqui continues. Sentiria imensa falta, se mudasses de ideia (cruzes canhoto!)
    Obrigada, recebe um beijinho carinhoso! 🙂

  4. Mia, gostei muito do texto e da partilha; e do estilo de escrita – escorreita e sempre com espírito… até nos momentos difíceis!
    Um abraço!

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