coisas minhas, desabafos em rodapé

o telefone, esse intermediário de conteúdos

o telefona toca.

x – sim , estou?

y – eu também, ah! ah! ah!

x- mas quem é que fala?

y – não me digas que não me estás a conhecer a voz…

x- assim de repente, peço desculpa, por acaso não.

y – Apre, estás a ficar senil, então sou eu…

x- ????!!!, Deculpe, mas eu, quem?

y – a Y, caramba. Agora até estou ofendida.

X- Ai! Y , desculpa, este telefone deve estar com defeito, não te conseguia identificar. Então, ‘tá tudo bem?

Y -Está, e vocês por aí?

X – Cá andamos, Uns dias melhores, outros nem por isso.

Y- Anda tudo para o mesmo, uma pessoa já não sabe o que dizer…

X- É mesmo, está tudo muito estranho. Quando uma pessoa pensa que está tudo mais calmo, zás, acontece uma destas.

Y- Tens razão.  Até ficamos desbaratinadas. Às vezes apetece nem sei o quê.

X- É mesmo, quando ficamos assim, o melhor é nem pensar.

Y- É isso, mas que queres? Não é fácil.

x- Fácil não é, mas temos de fazer por isso.

Y- É isso. Olha, X, vamos falando. Hoje liguei só para dar um alôzinho.

X- Claro. Vamos falando. Liga quando quiseres. Estou sempre por aqui.

relato telefónico ficcionado, baseado em interlocutores reais, e conteúdos semelhantes.

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17 thoughts on “o telefone, esse intermediário de conteúdos”

  1. Conheço este tipo de telefonemas a que chamo de “introitos”. Introduzem e alinhavam conteúdos, mas não os desenvolvem não os aprofundam. Adiam a conversa até outro dia.

    Um beijinho, Mia

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