coisas minhas, desabafos em rodapé

de manhã eu vou ao pão

Nem sempre, nem nunca. Mas agora tenho praticado esta modalidade matinal. Não tendo o privilégio de outros tempos, em que o saco do pão ficava pendurado na porta, e de manhã lá estava ele, fresquinho, à espera das primeiras trincas, agora,  há que deitar a preguiça borda fora, e pôr os pés ao caminho.

Eu, dantes, em Coimbra, vivia naquilo a que se chamava bairro. Bastante grande, por sinal, havia lá de tudo. As míticas mercearias- às quais quero prestar homenagem , um dia destes-, farmácia, cabeleireiro, papelaria, retrosaria, e até consultório médico (exercia em casa, nos tempos livres).  Andávamos na rua a brincar e, quando ouvíamos chamar, já sabíamos que estávamos destacados para ir aos recados. Eu era muito pretendida, quer para serviço interno (lá para casa) , quer  para serviço externo – vizinha viúva com filha crescida, quase sempre ausente, precisava de apoio. E lá ia eu. Só não ia ao pão, devido ao saco que ficava pendurado.

Hoje, vivo numa urbanização. Em tudo grande como o bairro de Coimbra, e em tudo, ou quase tudo, igual. Também lá tenho tudo. Padaria, farmácia, livraria, papelaria, café, café quase restaurante, laboratório de análises clínicas, consultórios médicos oficiais. Tínhamos uma delegação bancária com caixa ATM. A reestruturação financeira fechou-a.

Só me falta onde pôr o saco do pão. Quer dizer, faltar, não falta, pois levo-o na mão e asseguro-me que aquela mistura de farinha, fermento ou outros “acrescentos” o façam apetitoso.

De manhã eu vou ao pão, com “V”, os “Trabalhadores do Comércio” com “B”.

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14 thoughts on “de manhã eu vou ao pão”

    1. Sabia tão bem. Apesar de ir só de vez em quando, sabe-me bem, apanhar o fresquinho da manhã. Até fico mais acordada. A padaria fica pertinho, muito pertinho. E os sacos, fica-nos a saudade! 🙂

  1. Não tive a oportunidade de conhecer Coimbra no meu tempo em Portugal.

    De um lado, o mais próximo que cheguei foi Abrantes. Do outro, Braga.

    As paisagens são maravilhosas! Espero poder voltar e aproveitar melhor um dia!

    Abraço e obrigado pelo texto 🙂

    1. Obrigada Lucas. Boa tarde,
      Coimbra merece ser visitada, embora Braga, também tenha sido uma boa opção. Já Abrantes, apesar do Tejo lá ao fundo, de facto, não me atrai por demais. Quem sabe, numa oportunidade, Coimbra lhe vai ao caminho?
      Bom fim de semana.
      Abraço,
      Mia

  2. Quando vivia com os meus pais, e era pequena, o saco também lá ficava pendurado, uma pessoa da rua reunia o dinheiro e no fim da semana pagava de todos, tocava uma semana a cada um, que era cedinho. Mais tarde, já eu adulta, as pessoas começaram a comprar pão nas padarias, a minha mãe ainda pedia ao padeiro para lá deixar o pão e todas as sextas feiras se levantava cedo para pagar a semana toda. Mas, uma padaria abriu logo ali ao lado e a minha mãe, agora reformada, prefere o pão de lá, que “é mais fresquinho”. Mudan-se os tempos, muda-se a forma de ir buscar o pão. 🙂

  3. Na casa dos meus pais ainda há todos os dias pão fresquinho dentro da saca pendurado no portão… Que saudades! Na minha não há disso, mas vou todos os dias buscar pão a uma padaria à última fornada do dia e na manhã seguinte estão como se fossem frescos 🙂 Os tempos mudam!!!

  4. As padarias também vão desaparecendo e sendo substituídas por cafés, supermercados e locais mais sofisticados.
    Gostei de ouvir os Trabalhadores do Comércio que, se surgissem hoje, talvez se chamassem Trabalhadores do Comércio Tradicional.

    Um beijinho, Mia

    1. Os Trabalhadores do Comércio eram um grupo sui generis. Hoje, é possível que estivessem mais na retaguarda, ou então, seria, Trabalhadores do Comércio Gourmet. Está tão na moda.
      Beijinho, Miss Smile.

  5. Ahahahah! O que eu gosto desta música! Foi logo do que lembrei, mal li o título 🙂

    Quanto ao resto, olha, também fazia recados, muitas vezes sem vontade mas lá ia. Ao sábado de manhã ia aos jornais, lá mais longe, e à vinda passava na confeitaria para buscar a regueifa, enfim, não guardo muito boas memórias da minha infância, embora a traga sempre presente, de um modo ou de outro (a zona onde a vivi, aliás até ser adulta, está quase igual, na cidade do Porto). Lembro-me também de haver a padeira que deixava à porta os moletes e a leiteira os sacos de leite…

    Bom fim-de-semana Mia, com muito “biluzinho”:

  6. Era tão previsível, não era? Mas é verdade, em pequena, fiz muitos recados, e , apesar de muita coisa menos boa me ter acontecido, tenho saudades desse tempo, pois até fui mais ou menos feliz. Mas tua despedida está muito boa, Para fundo musical de fim de semana, já me encheu as medidas.
    Bom fim de semana.
    🙂

  7. Felizmente tenho uma mercearia à antiga mesmo em frente de casa, é só atravessar a estrada e vou ao pão fresco todos os dias. Mas lembro-me muito bem, de deixar o saco à porta em casa dos meus pais. Não sei se ainda haverá disso, agora o pão vem dos hipermercados e parece de plástico…

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