atendimento telefónico por teclas

bom dia, chegou aos serviços da empresa bagunça & companhia, embora na publicidade televisiva, pareçamos muito eficientes. Para televisão marque 1, internet marque 2, telefone, marque 3…para falta de paciência, marque a parede para onde vai atirar o telemóvel  aliviando assim, os nervos que estão a possuí-la (esta última, é sugestão minha). E sim, pode gravar o som dos estilhaços, por quem é, não se faça rogado!

ok…e agora, música , senhoras e senhores:

don’t stpo me now…’cause I’m having a good time having a good time…”

e agora a indignação do cliente que não deixa nada por pagar.

“‘celentíssimos” senhores:

então, se eu estivesse a ter um “good time”, acham que estava a perder tempo a contactar-vos? se está uma avaria em causa, não vos ficava bem, atender logo, solícitos, com voz maviosa, – mesmo que cínica -, e dizer-me que sim senhora, iam logo tratar do assunto?

Já pensaram que têm clientes com idade avançada que não são capazes de entender o vosso matraquerar de teclas? Já pensaram na possibilidade de se deslocarem a casa da pessoa, pois para o contrato de adesão não vos faltou mão-de-obra, nem vontade, por que será que agora se verifica um défice tão acentuado, para avaliação da avaria? E se a pessoa em causa não tiver ninguém que possa contactar-vos, uma vez que só tem aquele telefone fixo, não usa telemóvel, como é que ficamos?

Contacta-vos através de sinais de fumo? tambores? megafone? aluga uma avioneta com inscrição numa faixa “por favor o meu número de telefone  é este, preciso que me acudam, pois está avariado…”

vão lá ter um “good time” “shooting” para onde muito bem vos apetecer, e respeitem o Fred Mercury de quem sou grande fã.

assim, não dá. acabar o ano arreliada com operadoras milionárias.

“balançando” ao som de 2015

tudo o que não fiz em 2015:

rir muito;

andar despreocupada;

viver a sério o significado da palavra “férias”;

ir à praia no verão ver o pôr -do -sol;

viver saúde por inteiro aqui em casa;

dormir bem;

descansar bastante;

sou uma queixinhas.

tudo o que tive em 2015

muitas demonstrações de apoio por parte de familiares e verdadeiros amigos.

sou uma sortuda.

superstições do fim-de-ano

Dizem, dizem que há rituais importantíssimos a ter em conta na noite de 31 de dezembro. À aproximação das doze badaladas para entrar em 2016, dizem que é bom:

  Comer 12 passas e pedir correspondentes 12 desejos;

subir a uma cadeira;

ter uma nota no bolso (ou no sapato);

–  brindar com espumante ou champanhe na chegada do ano novo ;
Depois, esta:

  • Fazer barulho com as panelas. Parece ser uma  tradição que se pratica mais no sul do país. As pessoas vêm para a rua, varanda, janela, e fazem barulho batendo em panelas e, assim, afugentar tudo o que de mau houve no ano anterior.

Se isso for verdade, eu vou comprar um trem de cozinha novinho em folha, e desgraçá-lo com “pancada”, enquanto os ponteiros do relógio se esvaem em direção a 2016.  Vou ter de contratar ajudantes. Preciso de afugentar “bués” de coisas.

“mulheres de conforto”

como uma cultura – nipónica- pôde utilizar um eufemismo deste teor, causando tanto sofrimento.

hoje, o peso deste eufemismo, traduz-se numa indemnização histórica que peca por tardia. No entanto,  mais vale tarde do que nunca, na minha humilde opinião.

o link abaixo, é sugerido por uma jornalista do semanário Expresso:

http://ahnsehong.com/gallery/layerbylayer_2012/

bom dia. sem eufemismos.

a ser enganada logo de manhã

já sentia uma certa fome àquela hora da manhã. o bar do hospital onde me encontrava, era mesmo ali ao lado. não levou muito tempo  a escolher um pão de deus. é um bolinho seco que aprecio sempre que é bem feito. não era o caso deste. demasiado seco, ainda teve a leviandade de me levar a descartá-lo, quando pressenti um creme amarelo lá muito por dentro a lembrar uma bola de berlim. afinal, em que é que ficamos? o que estou realmente a comer? mas terei algum “ó” de otária escrita na testa? não pedi inequivocamente um pão de deus? que metamorfose é esta? estou perante um transgénico? uma destas… estou mesmo arreliada, e já jantei.

pão de deus

isto é que é um pão de deus.

Bola_de_Berlim

isto é uma bola de berlim com creme.

o que eu comi, seria um pão de berlim com deus?

que maçada.

imagens via internet.

não registei em fotografia o escândalo, por respeito à vossa sensibilidade.

 

 

ao todo somos três

e um sofá cinzento. podia ser um cão, um gato, pássaros ou peixes (já houve, já houve…), mas não. o nosso “animal ” de estimação, é mesmo aquele sofá cinzento. afeiçoados de longa data, somos inseparáveis. é muito disputado pelo agregado familiar, aqui, do terceiro esquerdo. por estes dias, ali recostada, tive em conta natais conjugados no pretérito. como eu gostaria imenso de me recordar de dias passados em família, com avós, tios e primos. digo isto, porque leio muito sobre memórias ricas que outros partilham à volta da lareira, travessas de arroz doce, aletria, filhós, e demais iguarias. e o que eu gostava de filhós. e nunca faltaram, é um facto.

 o último natal tinha sido tão reconfortante-, e depois, naquele ano, ao virar para os sete anos, roubaram-me essa alegria. ficaram as filhós com sabor a saudade. o açúcar não disfarçava. entretanto, e porque o tempo se encarrega de apaziguar as mágoas, o dia vinte e cinco foi e veio como sempre constou no calendário. mas nunca mais foi igual. um dia, resolvemos passá-lo na aldeia natal dos meus avós: maternos e paternos. e aí sim, estávamos todos. e todos, éramos tantos. havia lareira e cheiro a fumo, e  travessas de arroz doce e filhós e  sincelo (pedaços de gelo suspensos dos beirais dos telhados ou das árvores)  muito. e que lindo era. esculpido sem mão humana, arrepiava pela beleza, assim, pendurado num equilíbrio perfeito, entre o pouco verde das árvores, e o muito branco da neve que atapetava o chão que pisávamos.  acordou-me o relógio desta passagem por outros tempos. levantei-me ainda a mastigar o frio daqueles dias.cá em casa, ao todo, somos três: 

o pai

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a mãe

271220151234

a filha

271220151233

e o sofá cinzento271220151235

e é tudo.