coisas da vida

A propósito da morte de Marília Pera

Eu não sei se vocês viam novelas. Eu vi. Muitas. Desde a saudosa “Gabriela”, passando pelo Casarão, Dancin Days, Cambalacho , Chocolate com Pimenta… E isto só par citar algumas de que me lembro. Curiosamente, no início, apresentaram-se quase como programas de culto; não admira. A televisão portuguesa não tinha, na sua programação habitual, pelos anos 80, programação deste segmento, o que contribuiu, penso eu,  para o êxito que alcançaram. Isso, e o desempenho dos atores brasileiros. Exímios na arte de representar, encantaram-nos. Mais tarde, algum desdém lhe foi associado. Ver novelas, era assim como estar alienado da realidade, uma espécie de “fado e futebol” da época do Estado Novo. Evitava-se, então, dizer que se via, para não se ficar mal falada em círculos mais restritos e mais exigentes. Vem isto a propósito da morte recenticíssima de Marília Pêra. Só me foi apresentada numa novela de seu nome:” Brega e Chique”.  Fiquei logo fã. Nunca me dei ao trabalho de esconder que era espetadora destes programas “menores”, na opinião de muitos. A esta atriz , e outras que,  além mar , ou aqui “da casa”, nos trazem todo um mundo ficcional que nos retira do nosso quotidiano a partir do seu desempenho, presto uma humilde homenagem. Não precisam de pisar palcos de reputação de topo para mostrar a qualidade que as enforma.

Agora, que já não vejo novelas, não sei se vale a pena ter feito este post.

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7 thoughts on “A propósito da morte de Marília Pera”

  1. A primeira imagem que me veio à memória quando soube da morte de uma das minhas actrizes brasileiras de eleição, foi precisamente uma cena dessa novela inesquecível pelo seu humor refinado: uma palmeira desenvolta que atrapalhava recorrentemente a protagonista sempre que precisava de atravessar aquele canto da sala… era então um regalo vê-la a afastar as folhas da esbelta mas inconveniente planta de vaso com uma pose absolutamente única e inesquecível onde a classe de uma Senhora que transbordava do personagem mas inquestionavelmente também da mulher que a interpretava!

  2. Lembro-me perfeitamente da Marília Pera, e nitidamente da personagem do “Brega e chique” — ela a gritar o nome do defunto para o chão, assumindo que ele estava no inferno: “Heeeeerbeeeert!”. Ela tinha uma voz de tal forma versátil, que interpretou uma peça de teatro em que fazia variadíssimas personagens, todas com vozes totalmente distintas. Era absolutamente maravilhosa.
    Adorei viajar até essa época, Mia. Valeu muito a pena o teu post.
    Uma semana feliz e luzinhas boas para aí.
    Beijinhos

  3. Não fazia ideia que a senhora tinha falecido, lembro-me dela sim em algumas novelas.
    Tieta do agreste, Roque Santeiro, este tipo novelas que falas para mim foram as melhores, talvez porque era o que havia e comparando a programação da altura era o melhor que nos apresentavam. Também eu era fã. Hoje, nem televisão vejo. Rás parta a internet.

    Beijinhos querida amiga

  4. Linda a sua homenagem! E também muito interessante saber o que a novela representa em Portugal. Meu marido sueco diz que novela manipula muito as pessoas e eu concordo com ele, mas não deixava de assistir. Abandonei tudo pelas séries americanas, porém, se estou no Brasil, acompanho com prazer, como para curtir uma nostalgia 🙂
    Marília era fantástica e nunca morrerá enquanto suas novelas forem reprisadas.
    Beijo!

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