coisas da vida

agraciada com gestos plenos de açúcar

Estava eu sossegada. Era sábado. Era quase hora de almoço. Correção: já era mesmo hora de almoço. Filha entretanto crescida, andava a filmar palhaçadas para um filme natalício. Parece parvoíce, mas não é. Há quem ache que sim, mas eu cá, acho que não. Presumiu-se que eu estaria presente no “palco” das filmagens. Não estive. Aqui se prova que não se deve antecipar o futuro. Colega muito querida, elabora um bolo a abarrotar de calorias. Bolo “kinder delice”. Era suposto alambazarmo-nos com o dito cujo no fim das filmagens. Não aconteceu.  O bolo era para todos, mas, só se eu lá estivesse. Pumba. Exclusividade na borga que havia de ser. Contenção. Juízo. Somos todos crescidos. Logo ali, entendeu a sua autora mandá-lo de corrida para minha casa. Ele chegou muito quieto. Via-se que estava apavorado . O conjunto de facas ali à mão, não augurava nada de bom para ele. Coitado. Percebia-se a sofrer. De nada lhe valeu.  Eu,sádica implacável, fui-lhe desferindo golpes sem misericórdia. Também sem misericórdia, todo aquele açúcar se instalou na minha pessoa. É o karma.  Depois, telefonei a agradecer. Ora , não havia necessidade, dizem-me de lá. Claro que havia, digo eu de cá, e acrescento: um gesto tão bonito, tão saboroso, tão guloso que até tinha ganache…mal parecia.IMG_20151205_161516

a travessa encontra-se agora, branca, alva como a neve.

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