coisas da vida

daquela janela

viam-se vultos, a noite descera rapidamente. eram muitos. ou se calhar, só alguns que atravessavam o que parecia ser uma pequena alameda que aquele quintal tinha.

de vultos passaram a figuras de quase gente. ao entrarem pela porta não viam ninguém. dirigiam-se todos ao mesmo sítio. era lá que estava  a viúva. e os filhos? são dois. a miúda está ali à janela. está parada há muito tempo de olhos fixos no vidro. tem perguntado insistentemente por que o pai não chega.já entraram tantas pessoas, e a mãe está ali…

e foi daquela janela que se pôs negro o dia, se avolumaram sombras que haveriam de se colocar durante muito tempo à sua volta. dissiparam-se lentamente porque assim havia de ser. o tempo, como dizem os antigos, tudo cura. tudo, não. as saudades ficam marcadas a ferro. tanto tempo… 10 de abril . há quatro décadas. e aquela janela , o jardim, os vultos, as saudades, as sombras….sempre, sempre presentes. neste dia… apertam qual corda suicida.

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10 thoughts on “daquela janela”

    1. Miú, eu já sou tão crescida e ainda me encolho e choro como se tivesse sido ontem. Bem sei que parece uma frase feitas daquelas que rematam assuntos, mas não interessa. Não preciso de grande fluência para dizer o que aquele dia ditou no resto da minha história de vida.
      Um beijinho,
      Mia

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