coisas minhas, desabafos em rodapé

manual da véspera de feriado

página um 

fingir que não se percebe que no dia seguinte há folga

imaginar o dia de trabalho

tropeçar involuntariamente num calendário

olhá-lo muito bem nos olhos

cravar a atenção na cor do dia seguinte

interpretar a quantidade de símbolos constantes no calendário

página dois

começar a perceber que a página um não serve para nada

deixar-se de parvoíces

página três

ir ao cinema, pois amanhã não há necessidade de levantar cedo

última página

boa noite.

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desabafos em rodapé, fotos

abandonos

primeiro, o apego, a afeição, a comunhão de dias e horas em conjunto  em conformidade com  a situação para a qual foram adquiridos. até que chega o dia, que já não estão em condições de continuarem a partilhar a nossa vida. ainda assim, mereciam melhor tratamento.

sapatos-1

 

quantas histórias e episódios terá comungado com quem, agora, os despeja com menosprezo e sem olhar para trás. abandonados, à mercê do desdém de quem passa.

desabafos em rodapé

o correr dos dias

são muitas vezes pasados a correr. nos intervalos da trepidação diária, há momentos para ver que o movimento contínuo pode (co)existir com alguma placidez, sem pressas, aproveitando a corrente, andando, nadando em contracorrente…

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e nessa direçaõ, o arco desenhado deixa fluir debaixo de si um estado líquido, transparente, testemunha de uma realidade que sabe bem observar de tão límpida. uma realidade límpida é tão difícil de encontrar…

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bom dia. boa semana.

 

 

coisas minhas, desabafos em rodapé

caminhos #3

subtítulo –  med(r)onho

o caminho não se afigurava fácil. depois de uma subida a inspirar e expirar e esperar que acabasse depressa, veio  a descida. não se pense que foi melhor. do provérbio “para baixo todos os santos ajudam” dispensavam-se as pedras soltas que ajudavam a desequilibrar, e alguma lama que teimava em colar-se à sola da sapatilha, ou é ténis, ou outra coisa qualquer que se diz ?

alguns caminhos mais a pique ( é aqui que entra o adjetivo medonho, senão estragava-me o subtítulo) e eis que pelo meio, pontuavam medronheiros ainda capazes de atirar com uns apontamentos de cor e teor alcoólico, em direção a um trajeto que parecia não mais acabar.

medronho

medronho-2

sobre aguardente é que já não percebo nada.

coisas minhas, desabafos em rodapé

hoje,

não li, não ouvi música, não vi televisão, não fiz bolos ou cozinhados de lamber os beiços, não estive no sofá com uma manta, não bebi chocolate quente, não fui passear de carro a provocar os nervos de quem quer andar e não passear…

hoje, foi , é domingo, e ainda estou a tentar perceber o que fiz durante o dia todo.

sim, pois de manhã subi a um monte. era alto. subi-o aos ziguezagues. o caminho escorregava. havia muitas pedras. talvez por isso, fiquei o resto do dia a tentar perceber o que me passou pela cabeça este fim de semana.

monte

boa noite. são precisamente  horas de ir fazer qualquer coisa.

coisas minhas, desabafos em rodapé

saudades

do mês de novembro, quando o meu subsídio de Natal  estava inteirinho, suculento, pronto para as mais variadas aventuras. agora,  partido às fatias, assim, tão fininhas, coitadito, não tem músculo que chegue para coisa nenhuma. e vá, qua ainda não lhe deu para se desentender com o subsídio de férias que vem de uma vez, mas não faz alarde. é bastante discreto. podia ser mais espampanante que eu não me importava. caso seja deselegante falar destes assuntos em sítios virtuais, paciência, uma pessoa precisa de desabafar.