coisas minhas, desabafos em rodapé

passatempo

carro. ao volante. devagar. há passadeiras. há que parar. e naquele meio instante, porque estou em transição, já travei, mas parece que posso ainda avançar um pouquinho mais, um movimento que não é nem deixa de ser- espera-se- olho o transeunte: o peão. observo-o fugazmente se é rápido e não aborrece o condutor, e mais demoradamente se é daqueles que sofre de reumatismo cerebral, que não lhe permite  perceber que podia despachar-se, mas não quer. naquele momento sou uma analista de perfis. traço-lhe toda a personalidade a partir daquele momento. a psicologia envolvida neste raciocínio exige sagacidade.

 

hoje, apenas uma pessoa: género feminino, às nove  e meia da manhã :de cenho carregado, olhar perdido numa fúria lá muito sua, e uma zanga latente nas passadas. passatempo fugaz, mas que está a resultar muito bem para uma manhã de sexta-feira.

OLGA

imagem

bom dia.

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coisas minhas, desabafos em rodapé

a minha mãe descende de uma linhagem

a minha mãe descende de uma  linhagem ,cuja heráldica se impõe pela máxima:  “antigamente é que havia homens de verdade”, e lá se foi vivendo uma época, onde havia homens que a tudo presidiam e a tudo eram poupados. uma vez chegados a casa, estes homens de antigamente não podiam ser incomodados com coisíssima nenhuma. muitas revoluções depois, movimentos e manifestações, “maios de 68” “movimentos hippies” e assim, fui dada a observar a teimosia de uma gaiata de uns dois anos, que teimava em andar com as mãos pelo chão. a mãe, muito atenta, ordenava-lhe com voz macia que tirasse as mãos do chão.  repetiu algumas vezes, e   a petiza fazia ouvidos de mercador e desafiava. mudando de estratégia diz-lhe a mãe: “olha o pai, ali”. a mão saiu do chão.

coisas minhas, desabafos em rodapé

resumo do fim de semana

continuando com o tom cinzento, à música de fundo -já a seguir, em breves segundos-

juntou-se alguma azáfama para libertar uma jovem cozinha que atingiu a maioridade, e quis sair de casa.despojou-se de todos os seus pertences:

louça

uma ínfima parte do que albergava. partiu sem saudades, dava para ver. já eu, pareceram-me dezoito anos de episódios que se iam embora. a vindoura está só à espera que a logística fique pronta. apostou-se no cinzento,  para não rivalizar com o tempo.

bom dia.

desabafos em rodapé

país mais feliz do mundo

ao passar os olhos  por aqui, com imagens cativantes da Noruega, artigo que o define como um dos países mais felizes do mundo, escolhi esta queda de água para perceber melhor o conceito de felicidade.

Feigumfossen_Noruega

fig. 1 – Feigumfossen – Noruega

Fig.2 – Fórnea, junto à Serra d’Aire e Candeeiros

fornea_1

no que toca a quedas de água estamos conversados.

tudo o resto, com tão poucas horas de Sol por ano, neve e gelo por todo o lado…são assim tão felizes? o item fiorde e aurora boreal, não há de ser determinante. tem de haver ali algo…tem de ser…

⌈era agora que já tinham inventado um sinal de pontuação que expressasse ironia, era muito mais fácil. ⌉

desabafos em rodapé

fizeram-me uma radiografia

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”

Florbela Espanca

correção: eu sou pessimista. e logo a seguir exaltada…