estou a ver focas na televisão

a esta hora, (passa um pouco da dezanove e trinta), a maior parte das pessoas pensa mais em preparar-se para se sentar à mesa – e  não há de tardar muito, e como não me apetece ser seguidista, liguei a televisão. aperto o botão do comando, o vermelho, espécie de fusível que põe tudo a trabalhar,  e sou inundada de imagens no net geo wild (é assim que aparece escrito no canto esquerdo do ecrã), um bonito ecrã, por sinal, muito direitinho, cheio de cores, e está a passar-me imagens de pequenas crias de foca- branquinhas, que é um regalo vê-las com tanto pelinho – e o narrador, num inglês muito bom, explica pormenores pertinentes sobre a espécie, mas não se demora, vai logo a seguir explicar a vida das raposas do ártico, e não tardou muito para me informar sobre a lindíssima flora que me enche todas as polegadas que o ecrã tem- e ainda são bastantes, as polegadas, e as flores de um rosa carmim (existe essa cor?) que apareceram, mas logo desapareceram. ora, se eu multiplicasse o tamanho do ecrã pela área do ártico que está a ser filmada, era capaz de obter um resultado aproximado da quantidade de colorido floral ali captado, mas não tenho tempo, pois estou já com corpanzis de búfalos a ocuparem-me a vista. estou quase a terminar e os senhores, lá do canal acima indicado, delicadamente, dão-me a ver uns pequenotes muito amarelinhos que acabaram de se esconder debaixo da asa de sua mãe – gansa- daquelas que nunca foram patinhos (as)feios (as).