coisas da vida, desabafos em rodapé

homeopatia

andava a  vida entre perdidos e achados. às vezes, os perdidos, porque em maior quantidade, submergiam os achados, quando eles se tornavam bons para a continuidade. neste equilíbrio/desequilíbrio, até parecia que pensar bem e positivo haveria de chegar para alcançar tudo o que o céu prometera.

entretanto, um calendário.

ali, pendurado numa parede com um ar gasto pela pouca temperança, fazia perceber uma vida que se escoara umas vezes mansa, outras mais turbulenta. uma vida que clamara por tratamento, e quando  veio a a receita, uns, insistiam em doses fortes aprovadas cientificamente, já outros, opinavam ser melhor olhar para dentro, e procurar cura lá mais no fundo…

a discussão instalou-se e a vida foi-se movendo em várias direções isentando-se de responsabilidades sempre que as doses mais fortes não resultavam, e não se coibia de desdenhar do efeito placebo.  bitch.

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coisas minhas, desabafos em rodapé

se o outono fosse meu

escrevia-o com letra maiúscula para se ver melhor. retirada que foi essa dimensão, cobre-se de cores que nos hão de acompanhar durante largos dias e semanas. se o outono fosse meu, fazia-o fresco: as manhãs nubladas com cheiro a orvalho, para logo a seguir despontar o Sol que, estendendo braços à nossa volta, não nos havia de apertar com calor.

o outono na horizontal

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e agora, o outono na vertical

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e daí, desse lado, se o outono fosse seu?

coisas minhas

twilight zone

bom, estou mesmo a ser presunçosa no que ao título diz respeito, mas reservo-me esse direito num dia como hoje, em que não defini muito bem como seria a melhor forma de me escapar a um assunto burocrático, aborrecido e até um nadinha melindroso. para aliviar a tensão, entrei no “meu sofá cinzento” e dei de caras com necessidade de uma boa limpeza. abri o spam, que é como quem diz, o armário do terror, e numa das “prateleiras”, o que leio?

isto:

Buenas, precisaría una columna que me calcule
las horas nocturnas, las mismas son las de veintidos en adelante.
, La mayoría de los relojes CASIO para hombre han superado la prueba de resistencia al agua de hasta 10 bar – algunos aun los veinte bar.

tudo certo, sim senhor. quem sou para duvidar de uma conversa pra aí em castelhano e que inclui uma medida “bar”, com a qual não tenho grande afinidade? não sou ninguém, claro. a não ser que eu seja a proprietária de um espaço virtual, onde me arrogo o direito de ficar perplexa com o lixo que me varrem pra debaixo da porta. terei cara de otária? e o mais incrível é que é suposto ser aprovado como comentário num artigo intitulado “Hard Rock Cafe, Porto”. 

coisas minhas

opiniões

segundo algumas pessoas que trabalham comigo, por acaso foi só uma- é muito invejosa: ela é alta , loura, bonita, boa figura… mas tem de embirrar comigo à hora do almoço. que fazer? aguentar. descobri que devo estar  a ser vítima de bullying. então, segundo essa pessoa, eu estou aquém daquilo que define uma blogger, a saber  e nomeadamente em particular: não mostro tendências, não falo em novidades, não aconselho, não exponho o melhor que há em mim, seja de frente ou de perfil, e sou por isso, alguém que devia comer mais iogurte SKYR comprado em local próprio e conceituado. a este, deveria juntar aveia, tratar de a amaciar antes da junção proposta, claro, e quiçá submergi-la em   pedaços de fruta da época. pois fiquem sabendo que eu tenho alguma dificuldade com a aveia, mas como, como, e não desdenho , não senhor,  não gosto do dito iogurte, demasiado pastoso para o meu palato, e quanto  a novidades , tendências e amostragens das minhas mais valias não o sei fazer de forma competente. deixo, por isso, para quem consegue tratar esse segmento por tu, subjugá-lo à sua eficiência no ato de transmissão.

leste A. C. C. ? isto é para ti. em registo público. assim aprendes a moderar comentários ácidos à hora do almoço.

momento de pausa.

agora arrependi-me de ter escrito tanto sobre o assunto, se calhar entusiasmei-me. exagerei nos maus tratos a mim infligidos, e ainda hei de constatar que me dou muito bem com  a tal pessoa que apelidei de bully, apenas para ocupar espaço numa pretensa crónica cheia de excessos. vou ter de fazer algo em relação a isto. não parece bem.

desabafos em rodapé

o que é que se passa no 3º esquerdo?

a esta hora, vinte e uma e quarenta quatro minutos, está um agregado familiar distribuído por várias situações. há quem veja filmes sem lhes prestar a devida atenção, e quando se lhe perguntar o que se passa, dirá hummm???, não sei bem, olho, mas não vejo. filosofia pura. mais acima, subindo umas escadas que não são nada de especial, espreita-se sobre uma secretária onde alguém dedilha rápido num teclado produzindo alguns erros bem engraçados, que depois terá de emendar, caso contrário fica deselegante, tem esse alguém à sua frente numa outra secretária, e se quiserem ser curiosos a ponto de chegar a bisbilhotice aguda, espreita-se sobre a tal outra secretária e repara-se em alguém que consome filmografia japonesa num ecrã relativamente jeitoso ligado a um computador também ele bastante razoável. informação a mais, talvez, mas já que estamos numa de deixa lá ver então o que se passa no 3º esquerdo, faça-se com competência e profissionalismo. Mr. Bingley (fig. 1) está já com vontade de ir até vale de lençóis, assim como Miss shirley,  (fig. 2) que  recolheu já ao redil, e  se aquietou em sítio apropriado. resumindo, está tudo bem. lamento não ter produzido esta ligeira narrativa de forma mais eficaz no que ao vocabulário diz respeito, pois podia estar aqui um textinho de estaleca. a esta hora não se me exija aquilo que não posso dar, nem quando estou no meu melhor. obrigada.

fig. 1                                                  fig.2

coisas minhas, desabafos em rodapé

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles