coisas da vida, desabafos em rodapé

férias

tendo em conta conceitos como denotação e conotação, este substantivo feminino plural, precisa de ser sacudido para poder voltar a ser o que sempre foi.

quer isto dizer que a palavra acima citada, significava leveza e horas bem mal aproveitadas, sem que isso tivesse qualquer importância –  o pretérito, o que ficou lá bem para trás,  às vezes é tão bom, ponto de exclamação, suspiro, e ênfase em saudades- já estes dias, ainda agora, dias primeiros, não corresponderam. espera-se pois, que os que faltam, possam cumprir.

coisas da vida, desabafos em rodapé

aonde te leva o coração?

na prática? sem oratória? sem lírica ?

exato.

então, na prática, ao consultório da especialidade.

sobre o coração, dizem os entendidos que é um órgão pequeno, com  cerca de 12 cm de comprimento e 9 cm de largura apontando para uma massa de 250 gramas na mulher. sou eu, e tantas mais. vejo ainda, que à volta deste assunto, se fala na sua extremidade pontuda designando-a por ápice, e que no seu oposto fica a base, isto assim resumidamente, sem mais pormenores, pois não estamos numa aula de anatomia. e na base do trocadilho, direi que foi num ápice que este músculo tão dado a narrativas e prosa poética se transformou num lar de acolhimento de múltiplas preocupações. estas, com boa orientação, apontaram em várias direções: problemas múltiplos e diferentes, aos quais é preciso acudir. coração aguenta, mas nem sempre. diz o bom senso que deve ser ouvido. e foi até muito bem escutado. atenção à válvula. há aqui razão para cuidado, mas nada de dramas, acrescenta o veredicto vestido de bata branca. faça a sua vida.

obediente, continuo a fazer. as preocupações, essas, também continuam comigo. afeiçoaram-se à minha pessoa. viram-se bem estimadas, e agora, não arredam… ando nisto: umas vezes para cima, outras para baixo. 

eletrocardio

aqui me exponho. sem pudores. boa semana.

 

 

 

coisas da vida, desabafos em rodapé

coisas cá nossas

era expectável o mundo noticioso no dia de hoje. entre a visita de sua santidade, o campeonato do benfica e a música vencedora do eurofestival, não seria de  esperar mais variedade de assuntos. ainda anestesiados por esta tróica avassaladora, é natural que o país acorde para a vida mais daqui a bocadinho. não faz mal, anda esta terra muito necessitada de autoestima. depois das últimas semanas em que as notícias nos enchiam com os  100 dias de trump; os novos poderes para erdogan, na turquia; o suspense em frança; o brexit… em toda esta divisão que por aí pulula, em que graves problemas opõem cidadão do mesmo país, com todas as consequências desastrosas que daí podem advir, é reconfortante perceber que, neste país, os únicos ódios que se alimentam, relacionam-se com os clubes de futebol, nomeadamente aqueles que se dizem os 3 grandes . percebe-se nas conversas  dos comentadores que dormem durante a semana na televisão -de vez em quando devem ir a casa – nos comentários das chamadas redes sociais, nas conversas que ouvimos sem querer, em lugares públicos.

é fascinante perceber a elevação de carácter daqueles cidadãos, cuja capacidade maior, consiste em   congratular -se com algo que prejudique o clube rival. mas não é só com o futebol que se esgota a mesquinhez. em qualquer ato público que envolva algo, ou alguém, no caminho de uma vitória, os avinagrados da vida hão de sempre encontrar motivos para denegrirem o sucesso alcançado.

a incapacidade de se congratularem é uma doença grave, pestilenta. mesmo não gostando – é um direito que lhes assiste-  ficava-lhes melhor o silêncio, que o fel destilado. é  um fado que não nos larga, este, das vistas curtas e mal definidas. heranças infelizes.

 

 

coisas da vida, desabafos em rodapé

liberdades ao nível da caligrafia

que agora com as receitas eletrónicas acabaram. uma pena, sem dúvida. era todo um exercício de adivinhação, dedução, perceção do que ali estaria escrito, quando os médicos, à mão, ortografavam naquele papelinho branco com vinheta colorida, a panaceia que nos haveria de aliviar das dores. acabou. o mistério foi-se: o esforço realizado em toda e qualquer farmácia no sentido de decifrar aquilo que muita gente apelidava de gatafunhos, é já um cenário do pretérito. tudo se acaba. senhores doutores, a vossa imagem de marca… a designação “letra de médico” pertence a um passado recente. essas liberdades ao nível da caligrafia são agora uma recordação de uma manhã chuvosa de quarta -feira, semana em que a primavera chegou, mas não vingou . ainda.

letras de médico

imagem

coisas da vida, coisas minhas, desabafos em rodapé

por causa de uma galinha!

a galinha vinha endereçada. trazia remetente e destinatário. sem carimbos ou selo postal chegou a casa já em estado pronto a cozinhar. tentando fugir a questões filosóficas, a pessoa que a enviava recomendava trato e cautela, que a carne era tenra. após averiguar o tamanho da panela e a envergadura do conteúdo, tudo parecia estar em conformidade. o entusiasmo por carne já foi maior aqui, no 3º esquerdo, mas não tendo ainda renunciado a essa forma de alimento, os sentidos encaminhavam-se já para os odores que invadiam o ar da cozinha, com aromas próprios de um ambiente a lembrar outros tempos. esta descrição quase poética, se se desse o caso de adentrar pelo derrame de parágrafos pejados de sensações, era agora empratada com os melhores adjetivos e outros recursos tão bem empregues, que não deixariam ninguém indiferente. no entanto, agora que o público leitor estava já agarrado ao suspense – afinal era galo, ou galinha?- transmitido por estas linhas tão singelas, temo que o barulho do exaustor e o apito da panela de pressão tenham estragado toda uma ambiência que se previa repleta daquilo que quiséssemos imaginar: a toalha de linho- quiçá um domingo de festa, ruas enfeitadas – quem sabe uma aldeia na páscoa- cheiro de pão acabado de cozer- ou talvez, e também, leite creme queimado com aquele ferro preto, espalmado- não querias, mais nada, já estás  a pedir demais, anda, acaba lá isto, para as pessoas irem à sua vida.

então, está bem. fim. a galinha estava boa, já agora. ou se calhar era galo, sei lá eu.