liberdades ao nível da caligrafia

que agora com as receitas eletrónicas acabaram. uma pena, sem dúvida. era todo um exercício de adivinhação, dedução, perceção do que ali estaria escrito, quando os médicos, à mão, ortografavam naquele papelinho branco com vinheta colorida, a panaceia que nos haveria de aliviar das dores. acabou. o mistério foi-se: o esforço realizado em toda e qualquer farmácia no sentido de decifrar aquilo que muita gente apelidava de gatafunhos, é já um cenário do pretérito. tudo se acaba. senhores doutores, a vossa imagem de marca… a designação “letra de médico” pertence a um passado recente. essas liberdades ao nível da caligrafia são agora uma recordação de uma manhã chuvosa de quarta -feira, semana em que a primavera chegou, mas não vingou . ainda.

letras de médico

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por causa de uma galinha!

a galinha vinha endereçada. trazia remetente e destinatário. sem carimbos ou selo postal chegou a casa já em estado pronto a cozinhar. tentando fugir a questões filosóficas, a pessoa que a enviava recomendava trato e cautela, que a carne era tenra. após averiguar o tamanho da panela e a envergadura do conteúdo, tudo parecia estar em conformidade. o entusiasmo por carne já foi maior aqui, no 3º esquerdo, mas não tendo ainda renunciado a essa forma de alimento, os sentidos encaminhavam-se já para os odores que invadiam o ar da cozinha, com aromas próprios de um ambiente a lembrar outros tempos. esta descrição quase poética, se se desse o caso de adentrar pelo derrame de parágrafos pejados de sensações, era agora empratada com os melhores adjetivos e outros recursos tão bem empregues, que não deixariam ninguém indiferente. no entanto, agora que o público leitor estava já agarrado ao suspense – afinal era galo, ou galinha?- transmitido por estas linhas tão singelas, temo que o barulho do exaustor e o apito da panela de pressão tenham estragado toda uma ambiência que se previa repleta daquilo que quiséssemos imaginar: a toalha de linho- quiçá um domingo de festa, ruas enfeitadas – quem sabe uma aldeia na páscoa- cheiro de pão acabado de cozer- ou talvez, e também, leite creme queimado com aquele ferro preto, espalmado- não querias, mais nada, já estás  a pedir demais, anda, acaba lá isto, para as pessoas irem à sua vida.

então, está bem. fim. a galinha estava boa, já agora. ou se calhar era galo, sei lá eu.

passageiro clandestino

filha entretanto crescida, está de novo em trânsito. na mala colocou o essencial, entre o frio e algum sol que possa vir a fazer entretanto, lá vai tudo arrumadinho. aproveitando que a mala estava aberta, consegui enrolar entre camisolas e outros essenciais uns abracinhos . também lá vai um nadinha de preocupação, dessassosego e inquietação – o mundo anda muito perigoso. assim desmultiplicado parecem muitos, mas no fundo, no fundo, passageiro clandestino é mesmo o aperto. enquanto lhe via fechar a mala, eu fazia esforços para não o deixar fugir de onde estava…em vão. conseguiu escapulir-se e fechar-se lá dentro. ela não sabe. os senhores do avião também não. não denuncio a situação. murmuro-a, só como desabafo.

oásis

dizem que é uma lenda. chama-se “oásis”. deu-me para isto, hoje.

bom dia.

Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoa vive neste lugar ?
– Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem ? – perguntou por sua vez o ancião.
– Oh, um grupo de egoístas e malvados – replicou o rapaz – estou satisfeito de ter vindo embora.
– A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui –replicou o velho.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água, e vendo o ancião perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoa vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta: – Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem?
O rapaz respondeu: – Um magnífico grupo de pessoas: amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de as deixar.
– O mesmo encontrará por aqui – respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
– Como é possível dar respostas tão diferente à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu :
– Cada um carrega no seu coração o ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida, sobre a qual podemos manter controle absoluto.

carnaval?

madame-min

madame min, obrigada. o Carnaval é mesmo um susto. e olhe que eu sou uma pessoa bem humorada. mas não vou mesmo em “carnavais”. tenho amigos que ficam histéricos nesta época, eu acho-lhes graça. e gosto deles sempre. não sei o que dizer. talvez por ser domingo e necessitar de fazer o almoço , não tarda nada.

boo, para si também.

nipónico-amarelo-abelha

 

 

picachu

nipónico – amarelo-abelha sobre o dia de ontem queria tecer considerações. não autorizei, pois este baixote ainda não há muito tempo foi protagonista de uma série de culto (infantil, mas havia crescidos envolvidos), recentemente desafiou milhões de pessoas numa demanda que eu nunca entendi, mas isso não interessa nada… e agora queria alvitrar sobre o catorze de fevereiro. foi ontem. já passou. ninguém iria ficar interessado. só que ele não aceita. paciência. temos de aprender a aceitar um não. alguém tem de dar o exemplo.

 

é jovem, é milionária, euromilhões …

 ganhou à volta de um milhão de euros com apenas 17 anos. está muito infeliz, porque não arranja um amor verdadeiro, tem uma vida vazia…só pode ir de férias quando os amigos podem, prefere benidorme e magaluf, porque lá pode embebedar-se que ninguém a incomoda.

“Eu tenho bens materiais, mas além disso a minha vida é vazia. Qual é o meu objetivo? Acho que só maiores de 18 anos é que deviam poder jogar. A idade mínima atual, 16 anos, é muito baixa”, justifica Jane Park. Jane Park quer agora que a empresa que explora o sorteio, a Camelot, seja responsabilizada. A Camelot assegura que foi designado um conselheiro para Jane quando esta ganhou o prémio e que a idade mínima para jogar é um assunto sobre o qual o Parlamento inglês é que decide. “Fiquei presa com um conselheiro financeiro que só usava palavras complicadas”, afirma a jovem escocesa. Jane tem duas propriedades que aluga, é cliente habitual da Louis Vuitton, comprou um Chihuahua, que já não tem, e um jipe Range Rover roxo personalizado, que não usa por ser “demasiado vistoso”.

será que esta pequena, com 18 anos conseguiria gerir a fortuna com outra direção? entre os 17 e os 18 anos, ganharia a maturidade que lhe faltava ? tem agora 21, e leiam-se as observações sobre as férias, por exemplo…

a culpa é do mordomo, e do conselheiro, que falava “palavras complicadas”.