coisas da vida, desabafos em rodapé

já a ouço

chuva. assola-me um sentimento infantil. poderá não ser suficiente para aplacar uma sede de meses, mas talvez chegue para boicotar os atos criminosos perpetrados por alguém – ou talvez seja  plural- a quem os incêndios parecem proporcinar um meio de vida. uma espécie de ganha pão com lucros chorudos.

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coisas da vida, desabafos em rodapé

homeopatia

andava a  vida entre perdidos e achados. às vezes, os perdidos, porque em maior quantidade, submergiam os achados, quando eles se tornavam bons para a continuidade. neste equilíbrio/desequilíbrio, até parecia que pensar bem e positivo haveria de chegar para alcançar tudo o que o céu prometera.

entretanto, um calendário.

ali, pendurado numa parede com um ar gasto pela pouca temperança, fazia perceber uma vida que se escoara umas vezes mansa, outras mais turbulenta. uma vida que clamara por tratamento, e quando  veio a a receita, uns, insistiam em doses fortes aprovadas cientificamente, já outros, opinavam ser melhor olhar para dentro, e procurar cura lá mais no fundo…

a discussão instalou-se e a vida foi-se movendo em várias direções isentando-se de responsabilidades sempre que as doses mais fortes não resultavam, e não se coibia de desdenhar do efeito placebo.  bitch.

coisas da vida, desabafos em rodapé

sobre nostalgia

Etimologicamente, a palavra nostalgia é formada pelos termos gregos nostós (que significa regresso a casa) e álgos (que significa dor). Define-se por um sentimento de tristeza, um sentimento que pode elevar a palavra saudade a um nível acentuado. Perante isto, parecendo simples, sem no entanto o ser, percebo que já há muito tempo sinto necessidade de regressar a casa, àquele lugar que sempre tive, que estava cá dentro e fluía mesmo que as contrariedades se impusessem. Esta albufeira nostálgica que se instalou devagar e insidiosamente (com o meu consentimento) tem ordem de demolição rápida e imediata. O pior é que com o problema da burocracia portuguesa há de levar o seu tempo.

coisas da vida, desabafos em rodapé

férias

tendo em conta conceitos como denotação e conotação, este substantivo feminino plural, precisa de ser sacudido para poder voltar a ser o que sempre foi.

quer isto dizer que a palavra acima citada, significava leveza e horas bem mal aproveitadas, sem que isso tivesse qualquer importância –  o pretérito, o que ficou lá bem para trás,  às vezes é tão bom, ponto de exclamação, suspiro, e ênfase em saudades- já estes dias, ainda agora, dias primeiros, não corresponderam. espera-se pois, que os que faltam, possam cumprir.

coisas da vida, desabafos em rodapé

aonde te leva o coração?

na prática? sem oratória? sem lírica ?

exato.

então, na prática, ao consultório da especialidade.

sobre o coração, dizem os entendidos que é um órgão pequeno, com  cerca de 12 cm de comprimento e 9 cm de largura apontando para uma massa de 250 gramas na mulher. sou eu, e tantas mais. vejo ainda, que à volta deste assunto, se fala na sua extremidade pontuda designando-a por ápice, e que no seu oposto fica a base, isto assim resumidamente, sem mais pormenores, pois não estamos numa aula de anatomia. e na base do trocadilho, direi que foi num ápice que este músculo tão dado a narrativas e prosa poética se transformou num lar de acolhimento de múltiplas preocupações. estas, com boa orientação, apontaram em várias direções: problemas múltiplos e diferentes, aos quais é preciso acudir. coração aguenta, mas nem sempre. diz o bom senso que deve ser ouvido. e foi até muito bem escutado. atenção à válvula. há aqui razão para cuidado, mas nada de dramas, acrescenta o veredicto vestido de bata branca. faça a sua vida.

obediente, continuo a fazer. as preocupações, essas, também continuam comigo. afeiçoaram-se à minha pessoa. viram-se bem estimadas, e agora, não arredam… ando nisto: umas vezes para cima, outras para baixo. 

eletrocardio

aqui me exponho. sem pudores. boa semana.

 

 

 

coisas da vida, desabafos em rodapé

coisas cá nossas

era expectável o mundo noticioso no dia de hoje. entre a visita de sua santidade, o campeonato do benfica e a música vencedora do eurofestival, não seria de  esperar mais variedade de assuntos. ainda anestesiados por esta tróica avassaladora, é natural que o país acorde para a vida mais daqui a bocadinho. não faz mal, anda esta terra muito necessitada de autoestima. depois das últimas semanas em que as notícias nos enchiam com os  100 dias de trump; os novos poderes para erdogan, na turquia; o suspense em frança; o brexit… em toda esta divisão que por aí pulula, em que graves problemas opõem cidadão do mesmo país, com todas as consequências desastrosas que daí podem advir, é reconfortante perceber que, neste país, os únicos ódios que se alimentam, relacionam-se com os clubes de futebol, nomeadamente aqueles que se dizem os 3 grandes . percebe-se nas conversas  dos comentadores que dormem durante a semana na televisão -de vez em quando devem ir a casa – nos comentários das chamadas redes sociais, nas conversas que ouvimos sem querer, em lugares públicos.

é fascinante perceber a elevação de carácter daqueles cidadãos, cuja capacidade maior, consiste em   congratular -se com algo que prejudique o clube rival. mas não é só com o futebol que se esgota a mesquinhez. em qualquer ato público que envolva algo, ou alguém, no caminho de uma vitória, os avinagrados da vida hão de sempre encontrar motivos para denegrirem o sucesso alcançado.

a incapacidade de se congratularem é uma doença grave, pestilenta. mesmo não gostando – é um direito que lhes assiste-  ficava-lhes melhor o silêncio, que o fel destilado. é  um fado que não nos larga, este, das vistas curtas e mal definidas. heranças infelizes.