coisas minhas

de como o verde deixou de ser

Pinhal de Leiria. 17 de outubro de 2017

de onde antes se respirava, e agora se sufoca e se sucumbe ao peso da incúria.

de onde se modelou para ir ao encontro de mares nunca dantes navegados…

de onde o verde plantado encheu de vida uma época longa de História

fonte 

de onde se rodeou de chamas e se extinguiu um verde chamado pinhal. de um Rei. de todos nós.

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coisas minhas, desabafos em rodapé

palavras sob o calor de outono

a tarde corria mansa . o calor ateava por todos os poros, e o outono não se fazia sentir. na poltrona de sempre, cor acastanhada, nem clara nem escura, talvez cor de mel, onde os pés não me chegavam ao chão, esperava eu que o tempo se diluísse sem soluços ou espirros de notícias inquietantes. a janela, aberta em báscula, deixava entrar uns fiapos de vento quente que,  ao mesmo tempo, fazia “barriga” na cortina transparente, ornada de uma linha vertical em relevo com uma cor mais acentuada, mas pouco, elaborando feitios e rodopios, prendendo a atenção com efeito quase hipnótico. de resto, tudo o mais era silêncio. lá fora, tudo muito quieto, e o calor, canícula, para vincar a intensidade, nem à cigarra dava oportunidade (talvez já tenham partido em busca de outras paragens), mas de um galinheiro ali perto, sentiu-se vida. uma galinha cacarejou.uma outra deu-lhe resposta. foi só meio cacarejo. talvez fosse do calor, ou só para arrematar conversa.

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cozi maçãs

o fogão inundou-se de calor à hora de jantar. se por um lado, havia quem dissesse que não fazia tenção de comer o que quer que fosse, havia também quem desejasse  o famoso prato “pode ser”, iguaria que tem presença assídua no menu, aqui do terceiro esquerdo. atendendo a um principio de enxaqueca, ficou decidido que a refeição haveria de ser frugal. caso houvesse reclamações, tenho um quadro com íman numa parede do frigorífico, era aproveitar. quanto à chegada de resposta, logo se veria quando, pois a hora de atendimento ao fim de semana varia. corria bem a fervedura, parecia estar tudo bem encaminhado, e a canja que se previa ser um placebo para um principio de enxaqueca, acabou mesmo por servir de refeição. e apenas. todavia, receando pela escassez de variedade na mesa, aproveitei e cozi maçãs. golden. bem amarelas. aditivadas com canela  e com cravinho durante a cozedura. ferveram com um ar dócil e desfizeram-se  – quase- no prato, quando finalmente se viram soltas naquela superfície de porcelana, escorregadia, que lhes permitiu espreguiçarem-se sem cerimónia. depois comeram-se. fim.

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se o outono fosse meu

escrevia-o com letra maiúscula para se ver melhor. retirada que foi essa dimensão, cobre-se de cores que nos hão de acompanhar durante largos dias e semanas. se o outono fosse meu, fazia-o fresco: as manhãs nubladas com cheiro a orvalho, para logo a seguir despontar o Sol que, estendendo braços à nossa volta, não nos havia de apertar com calor.

o outono na horizontal

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e agora, o outono na vertical

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e daí, desse lado, se o outono fosse seu?