coisas minhas, sábados

mudança de cor

 

tudo isto , por volta das 3 e qualquer coisa da tarde, quando ia para lá. depois, vim em sentido contrário , e estava tudo na mesma.

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e havia umas mais amarelas.

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 e outras mais carregadas de quase púrpura.

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coisas simples, assim, num sábado à tarde.

 

 

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crónicas, desabafos em rodapé

perguntas de resposta fácil

para efeitos de contextualização, estava eu numa pastelaria, barra , padaria, lugar de encontros, de prática de gula, de pecados extremos expostos sem pudor em vitrinas muito transparentes, quando alguém que estava na fila imediatamente atrás da minha pessoa, estende um braço, e dispara rápido com entoação própria de quem vai colocar uma questão, dois pontos com mudança de linha.

– por favor, informe-me sobre os pães de sementes. quais as diferenças entre eles?

–  as sementes – responde a senhora de uniforme claro, com acentuação pesada de admiração por tal pergunta, e com forte acentuação de sílabas proferidas de certa maneira de quem veio lá do leste , e já aprendeu esta língua de líricas, ensaios e longas narrativas. e fez-se logo ali um nadinha de  silêncio.

portanto, no fundo, este registo relata apenas e só o seguinte: uma senhora queria saber qual a a diferenças entre os pães de sementes, e a outra senhora respondeu-lhe que a diferença estava nas sementes. podia estar na massa. nas farinhas, ora essa. ou não podia? mas gostei muito.

coisas minhas, fotos, sábados

Tajo /Tejo, e um castelo visto de costas

El río Tajo (en portugués, Tejo) es el río más largo de la península ibérica, a la que atraviesa en su parte central, siguiendo un rumbo este-oeste, con una leve inclinación hacia el suroeste, que se acentúa cuando llega a Portugal.” 

depois, em verões castigadores, o Tejo faz-se pequenino, e deixa-se de ambições. rodeia o Castelo que em tempos foi linha de defesa, e tenta derramar-se e encantar  margens por demais despidas de manto líquido.

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um Sol implacável descarregava toda a sua garra numas paredes que já enfrentaram outras batalhas. estas, climáticas, são uma novidade para o Castelo de Almourol.

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o Tejo, magrinho, quase nem serpenteia de tanta fraqueza, aqui, em Vila Nova da Barquinha.

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agonizante, em caminho estreito, não tem entusiasmo para encantar que o visita.

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tudo isto, a vinte e poucos de outubro de 2017

bom fim de semana.

crónicas, desabafos em rodapé

ilusão, deceção…

estava eu a preparar-me para sair de casa, de modo a dirigir-me ao laboratório de análises clínicas -onde sou freguesa há bastante tempo-  quando sou confrontada com a ignorância do local onde terei guardado a requisição das ditas. segunda-feira, treze de março.

aflição, procura, imprecação, perdão, imprecações, finalmente achada, mais folgada, preparo-me para analisar o estado do tempo. do lado de lá – há um vidro duplo a separar-me do exterior- o Sol expande-se em toda a sua grandeza. do lado de cá, agradece-se o cenário. do lado de lá, parece haver um certo movimento nos ramos ainda nus das árvores do jardim, no entanto, não lhe é dedicada a atenção devida. abre-se a janela para sentir o pulso ao exterior. parece-me estar tudo bem. após envergar o que me parecia ser adequado para sair à rua- iria a pé- desci as escadas- dispensei o elevador- conselho da cardiologista que acato obedientemente- e, com tantos travessões no texto, acabei também eu, a atravessar a estrada.

num instante, um manto enriquecido com um brocado rico em alfinetadas certeiras, trazidas pelo vento, envolve-me e lança-me num desfazer da ilusão de um dia soalheiro e aconchegante. não passou de uma quimera. era agora o momento da deceção, e do arrepio também. termino com um provérbio retirado ao meu arquivo de invenções súbitas sem necessidade:

dia arrepiado, ao trabalho é consagrado.

(provérbio acabado de inventar, inspirado numa realidade minha)

coisas da vida, crónicas, desabafos em rodapé

o melhor presente do meu aniversário

foi na sexta-feira. 14 de outubro. eu avisei  que tinha esta mania de aniversariar a cada 365 dias.

o dia amanheceu bem. tudo nos conformes. nada de reclamações. fui trabalhar. trabalhei, trabalhei, e às onze e trinta dois minutos – já tinha trabalhado umas coisitas-  houve novidade: um caramelo que pedia para ser consumido, foi. depois é que foram elas. neste caso ele. ele, o dente, partiu-se todinho, mas tão todinho, que abriu uma cratera. chega de descrição. a visualização para quem é muito sensorial pode ser desastrosa. saí a correr do trabalho, mas só duas horas depois. cadeira do dentista. sim senhor, isto foi castigo. mas arranja-se. agora? não, minha querida senhora (eu, portanto), só depois das oito da noite. fui. saí  a correr, sem perceber como, agendei uma ecografia aos rins. e logo para este dia. corri. cheguei, identifique-me. paguei e esperei. entrei, lá veio aquela conversa de circunstância, o doutor tratou-me pelo meu primeiro nome, achei simpático, logo a seguir fui inundada por aquela ranhoca, e depois o aparelhinho em conexão com o visor passou por todo o lado, e à medida que calcorreava o meu exterior para se inteirar do meu interior, ouvia-se um ronco e a voz do doutor  a pedir-me para não respirar. pediu-me tantas vezes e durante tanto tempo, que julguei estar a fazer um teste para mergulhador sem botija. no fim, foi uma alegria. o médico estava radiante, disse temer muito aquele exame. há pessoas que são um pouco adiposas , outras pela idade, outras por não conseguirem suster  a respiração, estragam tudo. eu? eu fui maravilhosa. e tinha as artérias ótimas. sem defeito nenhum. acabámos na eurodisney sem eu perceber a razão. despedi-me eufórica. receava o resultado. afinal, tudo bem. saí. fui fazer um recado importante, aproveitei para comer, e depois o dente. nove horas da noite- já podia rir. mais ou menos. ri-me só um bocadinho. cá por dentro é que estava às gargalhadas: uma ecografia, o melhor presente que podia ter recebido. bem, não foi a ecografia, ecografia, foi mais o resultado.

FIM