coisas minhas, desabafos em rodapé

este dia, não é só mais um

tudo junto é bastante.

filha entretanto crescida faz anos. 25 anos. eu com tanto para dizer e da boca não sai nada. dos dedos, só palavras casuais, e cá dentro  a transbordar. e é tanto o que me cala tudo o que podia, e queria dizer.

a tentar aligeirar o dia. um quarto de século.

joana 1

temos andado às voltas e nem demos conta. quer dizer, demos. só que, até parece que não.

joana 2

 25 anos. falamos depois.

imagens 

-isto de andar a aniversariar longe de casa, é culpa nossa. habituou-se mal. –

coisas minhas, desabafos em rodapé

promessas

vejo- as daqui  sentada. aqui ,do meu sofá cinzento, alcanço o pequeno vaso onde foram colocadas, à espera que cumprissem o prometido.

tulipas

vigiadas discretamente, tratadas como se impõe à espécie, cada gota de água despejada de forma cautelosa, não têm forma de se queixar. demoram, talvez, por serem mestres na arte do suspense. vou aguardar mais um bocadinho.

bom dia.

coisas minhas, desabafos em rodapé

é muito importante falar de sofás

pode parecer um assunto enfadonho e uma artimanha para apanhar leitores desprevenidos. pode sim, cada um julgará por si à posteriori, no entanto, parece-me que não é de todo desajeitado chamar o assunto à luz de uma terça-feira soalheira, quente para a estação. logo para começar, estou a escrever recostada nas almofadas do meu sofá cinzento. inerte, quedo e mudo, é um ouvinte a estimar. partilhamos momentos: ele mais circunspecto, eu mais aberta à palavra, ele mais reservado, eu a espraiar-me em aleluias ou lamentações. não se queixa, está cá sempre pronto para o que lhe trago todos os dias. tem dias que lhe dedico  atenção extrema em cuidados de spa: aspirado com leveza, tratado nas palminhas, alisado e coberto com mantinhas fofas para um aconchego em dias mais nevoentos, aliviado do calor e da luz quando lhe baixo as persianas para não se sentir afrontado com a temperatura excessiva, aligeirado com brisa, quando ela sopra ligeira e fresca…

para não se sentir completamente sozinho durante o dia – creio que não haverá grande diálogo com os móveis que o circundam, outra tribo, já se vê – deixo-lhe almofadas em tons suaves e materiais adequados, a interação há de tornar-se mais fácil.

e surgiu-me agora de repente uma ideia. face à quantidade e à facilidade com que muitas  pessoas  publicam livros hoje em dia, vou pensar em dedicar uma prosa consistente ao meu sofá cinzento. assim mesmo com este nome: ” o meu sofá cinzento”. como também está muito na moda o crowdfunding, vou propor tímida e descaradamente-numa espécie de exercício paradoxal matinal, anda tão parada este tipo de manobra –  uma ajudinha para a futura publicação.

se lhes parecer bem, conversaremos.