coisas minhas, desabafos em rodapé

se o outono fosse meu

escrevia-o com letra maiúscula para se ver melhor. retirada que foi essa dimensão, cobre-se de cores que nos hão de acompanhar durante largos dias e semanas. se o outono fosse meu, fazia-o fresco: as manhãs nubladas com cheiro a orvalho, para logo a seguir despontar o Sol que, estendendo braços à nossa volta, não nos havia de apertar com calor.

o outono na horizontal

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e agora, o outono na vertical

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e daí, desse lado, se o outono fosse seu?

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desabafos em rodapé

o que é que se passa no 3º esquerdo?

a esta hora, vinte e uma e quarenta quatro minutos, está um agregado familiar distribuído por várias situações. há quem veja filmes sem lhes prestar a devida atenção, e quando se lhe perguntar o que se passa, dirá hummm???, não sei bem, olho, mas não vejo. filosofia pura. mais acima, subindo umas escadas que não são nada de especial, espreita-se sobre uma secretária onde alguém dedilha rápido num teclado produzindo alguns erros bem engraçados, que depois terá de emendar, caso contrário fica deselegante, tem esse alguém à sua frente numa outra secretária, e se quiserem ser curiosos a ponto de chegar a bisbilhotice aguda, espreita-se sobre a tal outra secretária e repara-se em alguém que consome filmografia japonesa num ecrã relativamente jeitoso ligado a um computador também ele bastante razoável. informação a mais, talvez, mas já que estamos numa de deixa lá ver então o que se passa no 3º esquerdo, faça-se com competência e profissionalismo. Mr. Bingley (fig. 1) está já com vontade de ir até vale de lençóis, assim como Miss shirley,  (fig. 2) que  recolheu já ao redil, e  se aquietou em sítio apropriado. resumindo, está tudo bem. lamento não ter produzido esta ligeira narrativa de forma mais eficaz no que ao vocabulário diz respeito, pois podia estar aqui um textinho de estaleca. a esta hora não se me exija aquilo que não posso dar, nem quando estou no meu melhor. obrigada.

fig. 1                                                  fig.2

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Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles

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e logo ali se puseram à conversa

todas juntas eram duas. seguravam algumas compras na mão, e na máquina de despachar rápido self service – à exceção de quando nos mandam aguardar pelo assistente- que funcionam nos supermercados, lá estavam ambas, a segurar as compras, poucas , de braçado (creio que já tinha dito isto. verborreia pura, portanto!), ainda pensei que talvez se pudessem mover um pouco para facilitar o meu uso self service, mas não, insistiam naquela imobilidade.

-daqui não saio, daqui ninguém me tira – pareciam dizer com os olhos, e eu a pensar que se tivesse pachorra perguntava-lhes se estavam “à espera de godot,” ou outra coisa assim,,

fiz o que tinha a fazer com dificuldade, pois as múmias não se mexeram, e ao sair, ainda eu não tinha percebido se estavam à espera do assistente, de godot, de um milagre, ou que viesse a terça feira, sem ser necessário passar pela segunda.

mistérios do universo, sem dúvida, ou coisas que acontecem em qualquer supermercado perto de nós.

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olhem que realmente

mais valia ter estado calada. isto de fazer anúncios de forma determinada e categórica, para logo a seguir, uma semana depois, mais concretamente, falhar em toda a linha, leva a uma reflexão sobre o que significa determinação. estava eu muito cansada. isto foi ao fim de um dia de trabalho. por acaso era uma quinta-feira. sem apetite para fazer o jantar, ou sequer comer o que me apresentassem à mesa, declarei solenemente que a partir daquele dia, não mais haveria necessidade de se fazer o que quer que fosse parecido com o conceito “jantar”. com o correr dos dias, e esquecida do que tinha afirmado, ainda ontem cheguei a casa, fiz jantar e dei-me conta do comentário  em uníssono sobre o que tinha acontecido à determinação da semana anterior sobre a temática que fumegava na mesa. distribuí um guardanapo por prato e aconselhei moderação na constatação, não fosse acontecer um “levantamento de rancho” efetuado por não militar de alta patente, pois é de bom senso acatar a filosofia de vida ” a mãe é que sabe.”

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ritmos

Logo de manhã toca o despertador em ritmo alucinante e bastante enervante que me obriga a dar resposta capaz e eficiente: virar-me para o lado, pois é impossível ao meu metabolismo responder de forma imediata à chamada. Entretanto, alguns breves minutos após ( às vezes mais de dez), emanam ordens específicas da minha cabeça no sentido de haver alguma movimentação, pois o relógio não pára (com acento) e, lentamente, as pernas viram-se em direção ao chão, os pés tocam nos chinelos e é o início de todo um processo: e 1,  e 2 e 3, e… nada, que isto não se coloca um corpo em movimento assim por dá cá aquela palha. Insiste, insiste, está bem, eu insisto. E o ritmo a instalar-se, e eu já quase, quase, a ser…quase.

bom dia.