coisas minhas, desabafos em rodapé

apresento-lhes miss curly

recém chegada, miss curly, é ainda uma presença tímida. todavia, as suas responsabilidades são já acrescidas. sendo pertença de filha entretanto crescida (foi oferta de uma pessoa ainda mais crescida  do que filha cá de casa), a miss curly está atribuída a missão de enternecer o quarto vazio que enfrentamos todos os dias. até agora tem sido um êxito. a partir desta semana, mais em concreto na que há de chegar, miss curly fará parte das reuniões semanais que terão como objetivo principal, mitigar saudades quando elas pesarem como chumbo em saco de serapilheira vintage, isto, para dar um toque de elegância ao processo. serão sessões de muita atividade emocional, nas quais esperamos que todos os companheiros convocados possam ser  elementos preciosos, para adormecer um pouco alguns picos de tristeza que nos hão de assolar. estamos também preparados para estabelecer correspondência profícua de modo a que todo o processo seja molinho, estufadinho de fofura.

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bom dia e boa semana.

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coisas minhas, desabafos em rodapé

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles

coisas minhas, desabafos em rodapé

e porque hoje é sexta com tolerância de ponto

estou sentada no meu sofá cinzento. são mais ou menos onze horas, se calhar para mais, mas poucochinho, e não sei se faço bem ou mal, na medida em que metade deste agregado familiar trabalha no setor privado, e teve de ir sentar os ricos costados numa cadeira da entidade patronal e, talvez por isso, nem me esteja assim, a saber completamente bem. nada a fazer. tenho picos destes, de grande reflexão, mas passam-me rapidamente.

de resto, está tudo calmo, aqui, no terceiro esquerdo. tirando as obras da vivenda em frente ao prédio, e apesar das janelas impedirem que o barulho entre, aquela máquina centrifugadora do cimento é poderosa. chega-me cá. enerva um bocadinho. mas é só isso.

e assim, em conclusão, até tinha muito para dizer, mas creio não ser necessário, pois parece-me que os leitores não andam com grande paciência para parágrafos intermináveis. é, não é? eu sabia.

bom dia.

coisas minhas, desabafos em rodapé

eu tenho mais que fazer,

ai tenho, tenho, do que andar nas limpezas nos bastidores de “desabafos”. isto de ter que limpar o spam à mão, sem ajuda de qualquer aspirador potente, põe-me num estado deplorável. acabei agora, e são, neste momento, dezanove horas e cinquenta e três minutos, de limpar um spam com mais de, sei lá, mais de 20 cm de texto,  que eu, embora sem fita métrica, tirei-lhe as medidas a olho. eu tenho um letreiro com direito de admissão no que, aos comentários diz respeito, mas há entradas clandestinas muito bem organizadas. ai, há, há! (esta ultima frase tem assim, um certo ritmo, não tem? experimentem dizer depressa, mas só depois de jantarem)