coisas minhas, desabafos em rodapé

é muito importante falar de sofás

pode parecer um assunto enfadonho e uma artimanha para apanhar leitores desprevenidos. pode sim, cada um julgará por si à posteriori, no entanto, parece-me que não é de todo desajeitado chamar o assunto à luz de uma terça-feira soalheira, quente para a estação. logo para começar, estou a escrever recostada nas almofadas do meu sofá cinzento. inerte, quedo e mudo, é um ouvinte a estimar. partilhamos momentos: ele mais circunspecto, eu mais aberta à palavra, ele mais reservado, eu a espraiar-me em aleluias ou lamentações. não se queixa, está cá sempre pronto para o que lhe trago todos os dias. tem dias que lhe dedico  atenção extrema em cuidados de spa: aspirado com leveza, tratado nas palminhas, alisado e coberto com mantinhas fofas para um aconchego em dias mais nevoentos, aliviado do calor e da luz quando lhe baixo as persianas para não se sentir afrontado com a temperatura excessiva, aligeirado com brisa, quando ela sopra ligeira e fresca…

para não se sentir completamente sozinho durante o dia – creio que não haverá grande diálogo com os móveis que o circundam, outra tribo, já se vê – deixo-lhe almofadas em tons suaves e materiais adequados, a interação há de tornar-se mais fácil.

e surgiu-me agora de repente uma ideia. face à quantidade e à facilidade com que muitas  pessoas  publicam livros hoje em dia, vou pensar em dedicar uma prosa consistente ao meu sofá cinzento. assim mesmo com este nome: ” o meu sofá cinzento”. como também está muito na moda o crowdfunding, vou propor tímida e descaradamente-numa espécie de exercício paradoxal matinal, anda tão parada este tipo de manobra –  uma ajudinha para a futura publicação.

se lhes parecer bem, conversaremos.

coisas minhas, desabafos em rodapé

dia de cogumelo

Soneto do Guarda-Chuva

Ó meu cogumelo preto
minha bengala vestida
minha espada sem bainha
com que aos moiros arremeto

chapéu-de-chuva, meu Anjo
que da chuva me defendes
meu aonde por as mãos
quando não sei onde pô-las

ó minha umbela – palavra
tão cheia de sugestões
tão musical tão aberta!

meu pára-raios de Poetas
minha bandeira da Paz,
minha Musa de varetas!”

Sebastião da Gama

coisas minhas, desabafos em rodapé

pezinho , um ténis, uma coleção

quando o pessimismo ataca, as noticias nos bombardeiam e o espírito desassossega com todos os perigos que nos espreitam e que os comentadores afirmam ser reais ( e eu acredito, e não é à conta dos comentadores) aliviei o espírito a espreitar  outras coisinhas aqui

tenis

 

 

 

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tenis-3

tenis-4

tenis-5

lacinhos, pompons, brilhos…que venha a primavera. ora ponha aqui, ora ponha, aqui…o seu pezinho…ora ponha, aqui…

 

desabafos em rodapé

o correr dos dias

são muitas vezes pasados a correr. nos intervalos da trepidação diária, há momentos para ver que o movimento contínuo pode (co)existir com alguma placidez, sem pressas, aproveitando a corrente, andando, nadando em contracorrente…

271120161948

e nessa direçaõ, o arco desenhado deixa fluir debaixo de si um estado líquido, transparente, testemunha de uma realidade que sabe bem observar de tão límpida. uma realidade límpida é tão difícil de encontrar…

271120161946

bom dia. boa semana.

 

 

desabafos em rodapé

ela vem aí

a super lua. no entanto, caso o  o andrade da mula não a tenha engolido, é passível de ser observada.

mário de carvalho é que disse, não fui eu.

homem

“olhou para o céu e bocejou um desses bocejos do tamanho de uma casa, escancarando muito a bocarra que era considerada uma das mais competitivas da zona oriental. e aconteceu aquilo da lua. deslocou-se um bocadinho, assim como quem se desequilibrou, entrou a descer devagar, ressaltou numa ponta de nuvem, que por ali pairava feito parva, e foi enfiar-se inteirinha na boca do andrade, que  só fez ‘glup’ e esbugalhou muito os olhos”.

cuidado.