coisas minhas

de como o verde deixou de ser

Pinhal de Leiria. 17 de outubro de 2017

de onde antes se respirava, e agora se sufoca e se sucumbe ao peso da incúria.

de onde se modelou para ir ao encontro de mares nunca dantes navegados…

de onde o verde plantado encheu de vida uma época longa de História

fonte 

de onde se rodeou de chamas e se extinguiu um verde chamado pinhal. de um Rei. de todos nós.

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desabafos de agosto, desabafos em rodapé

coincidência?

há um ano publicava-se aqui em desabafos, , a partir de um sofá cinzento, a calamidade nacional: incêndios. fenómeno sazonal, já todos esperamos na estação certa, o crepitar das chamas com uma resignação aflitiva. esta agenda parece não ter fim. vejo este país a arder há mais de 30 anos, e não sei como continuamos a permitir tal desatino.

fogo

imagem

“No primeiro ‘briefing’ de hoje da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), realizado pelas 09:00, em Lisboa, a adjunta nacional de operações, Patrícia Gaspar, revelou que no sábado os 268 incêndios foram combatidos com o apoio de 1.762 viaturas, tendo sido realizadas 103 missões com meios aéreos.” (sapo.pt)

coisas minhas, desabafos em rodapé

manhãs de sábado

no meu imaginário de inverno, as manhãs de sábado, são manhãs quietas e isoladas do mundo. as janelas permitem a higienização recomendada e fecham-se após o ar estar presumivelmente renovado. e , continuando na ilusão, o silêncio perdura.

depois, a realidade levanta-se mais cedo do que eu, e há alguém a aproveitar o sábado, a manhã de inverno – a chuva está impediosa- para infernizar o silêncio, com o barulho intermitente de um berbequim comprado em segunda mão. aquele barulho não engana. é como o algodão, só que mais agressivo.

desabafos em rodapé, fotos

abandonos

primeiro, o apego, a afeição, a comunhão de dias e horas em conjunto  em conformidade com  a situação para a qual foram adquiridos. até que chega o dia, que já não estão em condições de continuarem a partilhar a nossa vida. ainda assim, mereciam melhor tratamento.

sapatos-1

 

quantas histórias e episódios terá comungado com quem, agora, os despeja com menosprezo e sem olhar para trás. abandonados, à mercê do desdém de quem passa.