desabafos de agosto, desabafos em rodapé

coincidência?

há um ano publicava-se aqui em desabafos, , a partir de um sofá cinzento, a calamidade nacional: incêndios. fenómeno sazonal, já todos esperamos na estação certa, o crepitar das chamas com uma resignação aflitiva. esta agenda parece não ter fim. vejo este país a arder há mais de 30 anos, e não sei como continuamos a permitir tal desatino.

fogo

imagem

“No primeiro ‘briefing’ de hoje da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), realizado pelas 09:00, em Lisboa, a adjunta nacional de operações, Patrícia Gaspar, revelou que no sábado os 268 incêndios foram combatidos com o apoio de 1.762 viaturas, tendo sido realizadas 103 missões com meios aéreos.” (sapo.pt)

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coisas minhas, desabafos em rodapé

manhãs de sábado

no meu imaginário de inverno, as manhãs de sábado, são manhãs quietas e isoladas do mundo. as janelas permitem a higienização recomendada e fecham-se após o ar estar presumivelmente renovado. e , continuando na ilusão, o silêncio perdura.

depois, a realidade levanta-se mais cedo do que eu, e há alguém a aproveitar o sábado, a manhã de inverno – a chuva está impediosa- para infernizar o silêncio, com o barulho intermitente de um berbequim comprado em segunda mão. aquele barulho não engana. é como o algodão, só que mais agressivo.

desabafos em rodapé, fotos

abandonos

primeiro, o apego, a afeição, a comunhão de dias e horas em conjunto  em conformidade com  a situação para a qual foram adquiridos. até que chega o dia, que já não estão em condições de continuarem a partilhar a nossa vida. ainda assim, mereciam melhor tratamento.

sapatos-1

 

quantas histórias e episódios terá comungado com quem, agora, os despeja com menosprezo e sem olhar para trás. abandonados, à mercê do desdém de quem passa.

coisas da vida, desabafos em rodapé

o direito à indignação

estava a pensar em fechar o dia, com algo mais positivo, mas aquelas imagens que estão agora em todo o lado, sobre a forma como os taxistas se manifestaram em Lisboa, deixa-me a louvar o facto de viver numa cidade pequena, dita de província – em nomenclatura antiga –  se calhar ainda está em voga – a nomenclatura – mais  que a cidade, portanto, dizia, ainda bem que não preciso. se o objetivo era captar a atenção para as injustiças, e os  desequilíbrios entre os prestadores de serviços, (a ser verdade, não sei: mas os operadores que a elas estão ligados não têm de cumprir os mesmos requisitos – financeiros, de formação e de segurança – do que os táxis.) falhanço total. soma-se a isto, haver pessoas de bom senso ao volante destes carros verdes e pretos, que vão ficar com a imagem denegrida por muito tempo. o direito à indignação, também tem regras, na minha opinião.

desabafo das 21 e 27. 2ª feira, dia 10 de outubro.