coisas minhas, desabafos em rodapé

os meus dias

andam verdes, não prestam. pendurados pela rama, esperam amadurecer num desaguar de bonança.

bom fim de semana.

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coisas da vida, desabafos em rodapé

coisas cá nossas

era expectável o mundo noticioso no dia de hoje. entre a visita de sua santidade, o campeonato do benfica e a música vencedora do eurofestival, não seria de  esperar mais variedade de assuntos. ainda anestesiados por esta tróica avassaladora, é natural que o país acorde para a vida mais daqui a bocadinho. não faz mal, anda esta terra muito necessitada de autoestima. depois das últimas semanas em que as notícias nos enchiam com os  100 dias de trump; os novos poderes para erdogan, na turquia; o suspense em frança; o brexit… em toda esta divisão que por aí pulula, em que graves problemas opõem cidadão do mesmo país, com todas as consequências desastrosas que daí podem advir, é reconfortante perceber que, neste país, os únicos ódios que se alimentam, relacionam-se com os clubes de futebol, nomeadamente aqueles que se dizem os 3 grandes . percebe-se nas conversas  dos comentadores que dormem durante a semana na televisão -de vez em quando devem ir a casa – nos comentários das chamadas redes sociais, nas conversas que ouvimos sem querer, em lugares públicos.

é fascinante perceber a elevação de carácter daqueles cidadãos, cuja capacidade maior, consiste em   congratular -se com algo que prejudique o clube rival. mas não é só com o futebol que se esgota a mesquinhez. em qualquer ato público que envolva algo, ou alguém, no caminho de uma vitória, os avinagrados da vida hão de sempre encontrar motivos para denegrirem o sucesso alcançado.

a incapacidade de se congratularem é uma doença grave, pestilenta. mesmo não gostando – é um direito que lhes assiste-  ficava-lhes melhor o silêncio, que o fel destilado. é  um fado que não nos larga, este, das vistas curtas e mal definidas. heranças infelizes.

 

 

coisas minhas, desabafos em rodapé

passatempo

carro. ao volante. devagar. há passadeiras. há que parar. e naquele meio instante, porque estou em transição, já travei, mas parece que posso ainda avançar um pouquinho mais, um movimento que não é nem deixa de ser- espera-se- olho o transeunte: o peão. observo-o fugazmente se é rápido e não aborrece o condutor, e mais demoradamente se é daqueles que sofre de reumatismo cerebral, que não lhe permite  perceber que podia despachar-se, mas não quer. naquele momento sou uma analista de perfis. traço-lhe toda a personalidade a partir daquele momento. a psicologia envolvida neste raciocínio exige sagacidade.

 

hoje, apenas uma pessoa: género feminino, às nove  e meia da manhã :de cenho carregado, olhar perdido numa fúria lá muito sua, e uma zanga latente nas passadas. passatempo fugaz, mas que está a resultar muito bem para uma manhã de sexta-feira.

OLGA

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bom dia.

coisas da vida, coisas minhas, desabafos em rodapé

passageiro clandestino

filha entretanto crescida, está de novo em trânsito. na mala colocou o essencial, entre o frio e algum sol que possa vir a fazer entretanto, lá vai tudo arrumadinho. aproveitando que a mala estava aberta, consegui enrolar entre camisolas e outros essenciais uns abracinhos . também lá vai um nadinha de preocupação, dessassosego e inquietação – o mundo anda muito perigoso. assim desmultiplicado parecem muitos, mas no fundo, no fundo, passageiro clandestino é mesmo o aperto. enquanto lhe via fechar a mala, eu fazia esforços para não o deixar fugir de onde estava…em vão. conseguiu escapulir-se e fechar-se lá dentro. ela não sabe. os senhores do avião também não. não denuncio a situação. murmuro-a, só como desabafo.

coisas minhas, desabafos em rodapé

preciso mesmo disto

encapsular o correr das horas, minutos e segundos.

sentar-me, não à espera de coisa nenhuma, mas sim, para disciplinar o correr das horas, que têm andado em roda livre. mesmo que pareça impossível, vou ter que corrigir este passar do tempo, porque me tem escorregado sem pudor por entre espaços que os relógios possuem.  os relógios são uns ditadores.

os dias estão muito pequenos, para tanto que se acumulou nos últimos meses.

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desabafos em rodapé

previsão emocional para (a)manhã

o trabalho dá saúde. fartinhos de saber, podemos é não concordar totalmente.

deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. até enjoa de tanto ouvir;

não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. aqui, calha dizer que não. hoje era dia para respeitar a manhã, olhar com  complacência para aquela luminosidade (irritante) do relógio da mesinha de cabeceira. hoje, transbordava eu de generosidade em relação a esse objeto, quase abjeto. tudo tranquilo.

amanhã, não respondo por mim.

previsão

despertador

não uso pijamas vermelhos com corninhos às riscas. isto é só um “suponhamos”.

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