passageiro clandestino

filha entretanto crescida, está de novo em trânsito. na mala colocou o essencial, entre o frio e algum sol que possa vir a fazer entretanto, lá vai tudo arrumadinho. aproveitando que a mala estava aberta, consegui enrolar entre camisolas e outros essenciais uns abracinhos . também lá vai um nadinha de preocupação, dessassosego e inquietação – o mundo anda muito perigoso. assim desmultiplicado parecem muitos, mas no fundo, no fundo, passageiro clandestino é mesmo o aperto. enquanto lhe via fechar a mala, eu fazia esforços para não o deixar fugir de onde estava…em vão. conseguiu escapulir-se e fechar-se lá dentro. ela não sabe. os senhores do avião também não. não denuncio a situação. murmuro-a, só como desabafo.

preciso mesmo disto

encapsular o correr das horas, minutos e segundos.

sentar-me, não à espera de coisa nenhuma, mas sim, para disciplinar o correr das horas, que têm andado em roda livre. mesmo que pareça impossível, vou ter que corrigir este passar do tempo, porque me tem escorregado sem pudor por entre espaços que os relógios possuem.  os relógios são uns ditadores.

os dias estão muito pequenos, para tanto que se acumulou nos últimos meses.

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previsão emocional para (a)manhã

o trabalho dá saúde. fartinhos de saber, podemos é não concordar totalmente.

deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. até enjoa de tanto ouvir;

não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. aqui, calha dizer que não. hoje era dia para respeitar a manhã, olhar com  complacência para aquela luminosidade (irritante) do relógio da mesinha de cabeceira. hoje, transbordava eu de generosidade em relação a esse objeto, quase abjeto. tudo tranquilo.

amanhã, não respondo por mim.

previsão

despertador

não uso pijamas vermelhos com corninhos às riscas. isto é só um “suponhamos”.

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