coisas da vida, desabafos em rodapé

coisas cá nossas

era expectável o mundo noticioso no dia de hoje. entre a visita de sua santidade, o campeonato do benfica e a música vencedora do eurofestival, não seria de  esperar mais variedade de assuntos. ainda anestesiados por esta tróica avassaladora, é natural que o país acorde para a vida mais daqui a bocadinho. não faz mal, anda esta terra muito necessitada de autoestima. depois das últimas semanas em que as notícias nos enchiam com os  100 dias de trump; os novos poderes para erdogan, na turquia; o suspense em frança; o brexit… em toda esta divisão que por aí pulula, em que graves problemas opõem cidadão do mesmo país, com todas as consequências desastrosas que daí podem advir, é reconfortante perceber que, neste país, os únicos ódios que se alimentam, relacionam-se com os clubes de futebol, nomeadamente aqueles que se dizem os 3 grandes . percebe-se nas conversas  dos comentadores que dormem durante a semana na televisão -de vez em quando devem ir a casa – nos comentários das chamadas redes sociais, nas conversas que ouvimos sem querer, em lugares públicos.

é fascinante perceber a elevação de carácter daqueles cidadãos, cuja capacidade maior, consiste em   congratular -se com algo que prejudique o clube rival. mas não é só com o futebol que se esgota a mesquinhez. em qualquer ato público que envolva algo, ou alguém, no caminho de uma vitória, os avinagrados da vida hão de sempre encontrar motivos para denegrirem o sucesso alcançado.

a incapacidade de se congratularem é uma doença grave, pestilenta. mesmo não gostando – é um direito que lhes assiste-  ficava-lhes melhor o silêncio, que o fel destilado. é  um fado que não nos larga, este, das vistas curtas e mal definidas. heranças infelizes.

 

 

desabafos de agosto, férias por todo o lado

“fruta feia”

Na União Europeia, 30% da fruta produzida é desperdiçada devido ao seu aspecto – tamanho, existência de manchas na casca, entre outros critérios. “O objectivo do projecto é pegar nessa fruta e vendê-la directamente ao consumidor.” Segundo o Projecto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar, da produção à mesa do consumidor, um milhão de toneladas de alimentos (17% da produção) são desperdiçadas por ano em Portugal.

como de manhã é que se começa o dia, eu, pra início de conversa já estou indignada. porquê? basta ler o que diz a notícia sobre desperdício alimentar. é inconcebível. num país em estado precário, resgatado, sempre com a palavra austeridade na ponta da língua, com ar compungido a pedir sacrifícios aos portugueses, dar-se ao luxo de deitar fora 17% da produção alimentar. por ano. que éramos uns pelintras peneirentos que nunca soubemos enfrentar os ditames dos engravatados de bruxelas, quando os mesmos são fruto de graves perturbações mentais éticas e morais, eu já sabia. mas ainda pensava que se calhar não era bem assim. afinal estava enganada. mas depois…alguma esperança. há pessoas inteligentes em portugal. a cooperativa “fruta feia” tem um projeto. é ler e aplaudir.

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desabafos de agosto, férias por todo o lado

ainda agora é de manhã…

e já estou sem ânimo. desde ontem que  a notícia me martela na cabeça. dizem os jornais que em Portugal em pleno período de crise aumentaram os milionários. não tenho, nada, nada, mas mesmo nada contra os ricos, contra os que pretendem ser, e os que já lá estão há muito tempo. o que não compreendo, (hei de ter défice cognitivo) é o processo que permite a acumulação de riqueza num país com um programa de resgate que todos dizem que é para pagar ( é), à custa de todos os cortes, planos de austeridade e aumentos de impostos, que, qual garrote nos há de tirar o pouco que ainda flui no nosso orçamento cada vez mais iníquo. seria agora que abria aspas e colocava uma citação interessante que poderia valorizar este pequeno desabafo. mas não vale a pena. depois de ler o artigo fiquei com tal azia que não há citação que me alivie. volto a repetir, não tenho nada contra os ricos, só tenho pena é que haja tantos pobres. e com tendência a aumentar.