coisas minhas, desabafos em rodapé

a minha mãe descende de uma linhagem

a minha mãe descende de uma  linhagem ,cuja heráldica se impõe pela máxima:  “antigamente é que havia homens de verdade”, e lá se foi vivendo uma época, onde havia homens que a tudo presidiam e a tudo eram poupados. uma vez chegados a casa, estes homens de antigamente não podiam ser incomodados com coisíssima nenhuma. muitas revoluções depois, movimentos e manifestações, “maios de 68” “movimentos hippies” e assim, fui dada a observar a teimosia de uma gaiata de uns dois anos, que teimava em andar com as mãos pelo chão. a mãe, muito atenta, ordenava-lhe com voz macia que tirasse as mãos do chão.  repetiu algumas vezes, e   a petiza fazia ouvidos de mercador e desafiava. mudando de estratégia diz-lhe a mãe: “olha o pai, ali”. a mão saiu do chão.

coisas da vida, coisas minhas, desabafos em rodapé

por causa de uma galinha!

a galinha vinha endereçada. trazia remetente e destinatário. sem carimbos ou selo postal chegou a casa já em estado pronto a cozinhar. tentando fugir a questões filosóficas, a pessoa que a enviava recomendava trato e cautela, que a carne era tenra. após averiguar o tamanho da panela e a envergadura do conteúdo, tudo parecia estar em conformidade. o entusiasmo por carne já foi maior aqui, no 3º esquerdo, mas não tendo ainda renunciado a essa forma de alimento, os sentidos encaminhavam-se já para os odores que invadiam o ar da cozinha, com aromas próprios de um ambiente a lembrar outros tempos. esta descrição quase poética, se se desse o caso de adentrar pelo derrame de parágrafos pejados de sensações, era agora empratada com os melhores adjetivos e outros recursos tão bem empregues, que não deixariam ninguém indiferente. no entanto, agora que o público leitor estava já agarrado ao suspense – afinal era galo, ou galinha?- transmitido por estas linhas tão singelas, temo que o barulho do exaustor e o apito da panela de pressão tenham estragado toda uma ambiência que se previa repleta daquilo que quiséssemos imaginar: a toalha de linho- quiçá um domingo de festa, ruas enfeitadas – quem sabe uma aldeia na páscoa- cheiro de pão acabado de cozer- ou talvez, e também, leite creme queimado com aquele ferro preto, espalmado- não querias, mais nada, já estás  a pedir demais, anda, acaba lá isto, para as pessoas irem à sua vida.

então, está bem. fim. a galinha estava boa, já agora. ou se calhar era galo, sei lá eu.

coisas minhas, desabafos em rodapé

tudo ” o melhor”

as melhores cidades para visitar ;

as melhores frutas para desintoxicar;

os melhores legumes para higienizar;

as melhores mezinhas para tosse, gripe  e constipações;

as melhores receitas para emagrecer;

os melhores cremes para não envelhecer;

os melhores blogues para “fashionar”;

os melhores filmes para descontrair;

os melhores livros para refletir. ;

caso já tenham lido algo semelhante, num sítio com melhor qualidade de texto, então, o melhor é ignorar.

 

coisas minhas, desabafos em rodapé

as minhas manhãs#2

anda uma pessoa na sua vida do dia a dia- há quem lhe chame quotidiano- quando, por vezes, se amargura. vai daí, fala com fulano, sicrano e beltrano recebendo de todos perspetivas diferentes sobre como abordar esse mesmo quotidiano. e nestes todos, há os pessimistas e os otimistas. influenciáveis, registamos as mensagens otimistas de como a vida deve ser vista e lá vamos repetindo que sim senhor, está bem visto, embarcando numa jornada de otimização de todos os acontecimentos. logo de manhã, bem cedo , vamos embalados nesta filosofia e damos com um aparato automobilístico numa rotunda de grande tráfego automóvel nesta paróquia provinciana onde me encontro.  e o que se passa? não sei. só vejo os senhores agentes frenéticos, hiperativos, sobre os condutores apanhados ainda em bocejos tardios. lá se foi o otimismo. não totalmente. passei incólume. menos mal. vou rever o conceito.