vai uma pessoa ao médico

e leva todos os exames, neste caso as análises que necessitam ser verificadas aturadamente pelos olhos de quem sabe. boa tarde, isto foi ontem, já depois das 5, quase  a beirar as seis horas, o escuro já estava instalado, havia muito gente na rua, iluminações de natal já a  despontar, umas mais bonitas que outras, já se vê, e deve ter sido aqui, que me distraí, pois quando entrei no consultório, apresentei as análises de abril deste ano, que não tinham qualquer dado sobre a função tiróideia, e entreguei toda lampeira mais um envelope, julgava eu com as análises de outubro de 2016, muito completinhas, e afinal era a carta do fisioterapeuta para o ortopedista. serviço do mais competente.

o que vale é que esta sexta está com sabor a segunda, sendo que, é também véspera de sábado.

manual da véspera de feriado

página um 

fingir que não se percebe que no dia seguinte há folga

imaginar o dia de trabalho

tropeçar involuntariamente num calendário

olhá-lo muito bem nos olhos

cravar a atenção na cor do dia seguinte

interpretar a quantidade de símbolos constantes no calendário

página dois

começar a perceber que a página um não serve para nada

deixar-se de parvoíces

página três

ir ao cinema, pois amanhã não há necessidade de levantar cedo

última página

boa noite.

abandonos

primeiro, o apego, a afeição, a comunhão de dias e horas em conjunto  em conformidade com  a situação para a qual foram adquiridos. até que chega o dia, que já não estão em condições de continuarem a partilhar a nossa vida. ainda assim, mereciam melhor tratamento.

sapatos-1

 

quantas histórias e episódios terá comungado com quem, agora, os despeja com menosprezo e sem olhar para trás. abandonados, à mercê do desdém de quem passa.

o correr dos dias

são muitas vezes pasados a correr. nos intervalos da trepidação diária, há momentos para ver que o movimento contínuo pode (co)existir com alguma placidez, sem pressas, aproveitando a corrente, andando, nadando em contracorrente…

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e nessa direçaõ, o arco desenhado deixa fluir debaixo de si um estado líquido, transparente, testemunha de uma realidade que sabe bem observar de tão límpida. uma realidade límpida é tão difícil de encontrar…

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bom dia. boa semana.

 

 

caminhos #3

subtítulo –  med(r)onho

o caminho não se afigurava fácil. depois de uma subida a inspirar e expirar e esperar que acabasse depressa, veio  a descida. não se pense que foi melhor. do provérbio “para baixo todos os santos ajudam” dispensavam-se as pedras soltas que ajudavam a desequilibrar, e alguma lama que teimava em colar-se à sola da sapatilha, ou é ténis, ou outra coisa qualquer que se diz ?

alguns caminhos mais a pique ( é aqui que entra o adjetivo medonho, senão estragava-me o subtítulo) e eis que pelo meio, pontuavam medronheiros ainda capazes de atirar com uns apontamentos de cor e teor alcoólico, em direção a um trajeto que parecia não mais acabar.

medronho

medronho-2

sobre aguardente é que já não percebo nada.

hoje,

não li, não ouvi música, não vi televisão, não fiz bolos ou cozinhados de lamber os beiços, não estive no sofá com uma manta, não bebi chocolate quente, não fui passear de carro a provocar os nervos de quem quer andar e não passear…

hoje, foi , é domingo, e ainda estou a tentar perceber o que fiz durante o dia todo.

sim, pois de manhã subi a um monte. era alto. subi-o aos ziguezagues. o caminho escorregava. havia muitas pedras. talvez por isso, fiquei o resto do dia a tentar perceber o que me passou pela cabeça este fim de semana.

monte

boa noite. são precisamente  horas de ir fazer qualquer coisa.