coisas minhas, desabafos em rodapé

sobre manjericão, essa demanda.

estou necessitada de doutos conselhos. sou grande apreciadora de manjericão, barra, ocimum basilicum. então, o mui amado ocimum basilicum,  que se expõe no lugar das frutas e dos legumes, às vezes encimada por paletes de cogumelos de variedades diferentes, em superfícies comerciais ao nosso dispor, vem para casa- minha, neste caso- e fica depositada junto  a uma janela, aconchegado com luz indireta para não aleijar a sensibilidade botânica da sua perfumada identidade, e não muitos dias depois, definha, despede-se e joga-se num volteio deprimente, encolhido, sem querer mais diálogo com o exterior. acastanha-se e vai-se embora, apesar de todos os cuidados prestados. entretanto, já tocam os sinos por nova planta. esta, agora, enterrada num vaso, num espaço exterior , com muita terra à volta, junto, – mas não demasiado -, a outras companheiras , não demora muito tempo a dar sinais de querer fenecer. da vontade ao ato, é um instante.

o que estou  a fazer mal? agradeço todas as contribuições que me levem a ter algum êxito nesta demanda.

bom fim de semana

coisas minhas, desabafos em rodapé

“my name is bond…”

já foi tarde que me rendi aos encantos do agente secreto “shaken not stirred”. vejo os filmes no ecrã, à espera que os truques ali executados, possam passar à vida real, e assim, eliminar para sempre os maus da fita. claro que é ficção. só que eu gosto de ficção, de ilusão, de  realidades inventadas para o ecrã. mais em concreto: durante aqueles momentos, a vida depende só de um homem que salva sempre a humanidade de um qualquer malfeitor a necessitar ser erradicado do planeta -a marvel também erradica muito bem-  mas isso é outra conversa. quando voltamos à realidade, ela é bem menos graciosa e despachada, e lá a enfrentamos o melhor que podemos. agora falemos de roger moore, o agente de olhos claros, despediu-se. talvez se venha a encontrar com o engenhoso “Q”. sempre ao serviço de sua majestade.

bond

Q

coisas minhas, desabafos em rodapé

jardinagem imberbe

suculentas

na mira de conseguir mostrar que vale a pena possuir esta espécie numa qualquer varanda, por mais humilde que seja a capacidade de jardinagem da sua possuidora,  aceitei de bom grado a dádiva daquela que se intitula ” a filha da mãe que eu fui” .

agora, é esperar que a filha da mãe da suculenta se ponha fina, e não me envergonhe. está junto  de outras companheiras que pediram anonimato. seja.

nota final: está muito abafado. oxalá seja bom para a plantinha , já que a mim me faz muito mal esta ambiência.

 

coisas da vida, desabafos em rodapé

coisas cá nossas

era expectável o mundo noticioso no dia de hoje. entre a visita de sua santidade, o campeonato do benfica e a música vencedora do eurofestival, não seria de  esperar mais variedade de assuntos. ainda anestesiados por esta tróica avassaladora, é natural que o país acorde para a vida mais daqui a bocadinho. não faz mal, anda esta terra muito necessitada de autoestima. depois das últimas semanas em que as notícias nos enchiam com os  100 dias de trump; os novos poderes para erdogan, na turquia; o suspense em frança; o brexit… em toda esta divisão que por aí pulula, em que graves problemas opõem cidadão do mesmo país, com todas as consequências desastrosas que daí podem advir, é reconfortante perceber que, neste país, os únicos ódios que se alimentam, relacionam-se com os clubes de futebol, nomeadamente aqueles que se dizem os 3 grandes . percebe-se nas conversas  dos comentadores que dormem durante a semana na televisão -de vez em quando devem ir a casa – nos comentários das chamadas redes sociais, nas conversas que ouvimos sem querer, em lugares públicos.

é fascinante perceber a elevação de carácter daqueles cidadãos, cuja capacidade maior, consiste em   congratular -se com algo que prejudique o clube rival. mas não é só com o futebol que se esgota a mesquinhez. em qualquer ato público que envolva algo, ou alguém, no caminho de uma vitória, os avinagrados da vida hão de sempre encontrar motivos para denegrirem o sucesso alcançado.

a incapacidade de se congratularem é uma doença grave, pestilenta. mesmo não gostando – é um direito que lhes assiste-  ficava-lhes melhor o silêncio, que o fel destilado. é  um fado que não nos larga, este, das vistas curtas e mal definidas. heranças infelizes.

 

 

coisas minhas, desabafos em rodapé

e porque hoje é sexta com tolerância de ponto

estou sentada no meu sofá cinzento. são mais ou menos onze horas, se calhar para mais, mas poucochinho, e não sei se faço bem ou mal, na medida em que metade deste agregado familiar trabalha no setor privado, e teve de ir sentar os ricos costados numa cadeira da entidade patronal e, talvez por isso, nem me esteja assim, a saber completamente bem. nada a fazer. tenho picos destes, de grande reflexão, mas passam-me rapidamente.

de resto, está tudo calmo, aqui, no terceiro esquerdo. tirando as obras da vivenda em frente ao prédio, e apesar das janelas impedirem que o barulho entre, aquela máquina centrifugadora do cimento é poderosa. chega-me cá. enerva um bocadinho. mas é só isso.

e assim, em conclusão, até tinha muito para dizer, mas creio não ser necessário, pois parece-me que os leitores não andam com grande paciência para parágrafos intermináveis. é, não é? eu sabia.

bom dia.