lycra (aka spandex)

material que devia estar disponível para aquisição quando a falta de assunto nos assola e,mesmo assim, teimamos em “paragrafar”. neste procedimento de “paragrafar”, se as palavras esticassem qual lycra,  bastava quase nada, para parecer mais qualquer coisa.

posto isto, venho só desejar que passem um bom dia de quinta-feira.

não concordo com Honoré de Balzac

“Não há dor que o sono não consiga vencer.”

atribui-se esta frase a Honoré de Balzac. então, um homem deste calibre não sabe, que uma vez a dor instalada, não há sono que a consiga vencer? para conseguir que ele venha, às vezes, só com uma ajudinha comprada na farmácia, caso contrário, não vamos lá com facilidade.

é por isso que evito citações. a não ser que seja eu a inventá-las.

se eu morasse numa estante

havia de ser numa cheia de livros. livros grossos ou magrinhos, com desenhos, figuras e letras. letras grandes, porque podiam muito bem servir de abrigo em casos extremos. os casos extremos, seriam sempre, aqueles em que as páginas de certos livros me barrariam a entrada, por não possuir capacidade de interpretar figuras de estilo. aí, teria de me esconder, para evitar que um caso desses fosse reportado, por exemplo, a uma gramática, ou a um dicionário abelhudo que tutelasse a família dos sinónimos e antónimos . não havia de dar a minha morada a ninguém. viveria clandestina, para poder escapar às grandes entidades reguladoras, ou a comissões de inquérito constituídas pelas letras miudinhas, pequeninas, picuinhas, cheias de renhónhós, prontas para chatear o bicho do ouvido. na minha clandestinidade, usaria uma camuflagem peculiar: vestir-me-ia de folhas de jornal, e andaria sempre com o cabelo alvoroçado –  nem sei bem para quê- é só um pormenor para ajudar a compor.

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mais ou menos isto, mas numa estante cá em baixo, que sofro de vertigens.

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foi ontem…eu ia aos sapatos…

eu ia pela rua. no meio dela, sim, mais ou menos a meio, fica a sapataria que tem o condão de me fazer parar. olhei bem para todos os que já estavam na montra. gostei de alguns.  outros, nem deles, nem do preço marcado. pensei bem nas opções. entretanto, chego a casa, e por razões que nem eu sei explicar – talvez os ataques na Síria, de novo- ou por ter ouvido a palavra refugiados, e ainda com os sapatos na cabeça, e os olhos nas imagens de destruição que me galgavam nas órbitas, lembrei-me desta fotografia. procurei até achar. não me lembrava bem do nome.

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passou-me logo a vontade de equacionar preços e modelos.

a fotografa

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shannon jensen, em 2012, fotografou refugiados sudaneses que fugiam da guerra civil.

não sei se estarei a confundir as situações. quer dizer, entre as minhas contemplações  a um objeto que gosto muito, e a realidade dura de um mundo sem contemplações.