coisas minhas, desabafos em rodapé

lá muito, há algum tempo,

era verão. tinha iniciado as lides aqui, em desabafos, e já num sofá cinzento. naquele dia, querendo produzir texto, atirei-me a um anúncio para que depois de supostamente escalpelizado, pudesse dizer de minha justiça. nesse dia, a minha pessoa estava zangada com a pátria. escrevi-o desta forma, vírgula, dois pontos:

Nós aqui temos tudo“; assim se diz num anúncio televisivo a uma marca portuguesa de cerveja. Este spot publicitário num segmento de tempo curtinho, lembra-nos tudo aquilo que temos de tão bom. Depois, acaba o intervalo, vêm as notícias…e pronto, acabou-se o estado de enlevo pela pátria.  A realidade entra-nos pelos olhos dentro. Não há marca de cerveja que nos valha nestas alturas.”Nós aqui temos tudo”! De facto, é verdade, mas falta-nos alguma coisa. Sei que sim, senão, não tínhamos chegado a este estado de coisas!

“este estado de coisas” fica à interpretação de cada um. a mim, parece-me que posso continuar zangada.  são vinte e três horas e onze minutos. boa noite e obrigada.

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coisas de cabeleireiro, desabafos em rodapé

e chamou-lhe feio.

A acabar de receber umas escovadelas num cabelo que já viu melhores dias, o costume da semana, aliás, nada de especial, quando ouço o seguinte comentário, provindo de uma leitora de revista semanal, cheia de conteúdo social: ” esta Irina, tão bonita, e com um homem tão feio, mesmo feio, não o queria nem dado…” Feio. Chamou-lhe feio, (ao  Bradley Cooper) em voz alta, sem pudor.  Herege.

coisas minhas, desabafos em rodapé

palavras ao mar

 

Falei ao vento, ao mar salgado. Estava  o dia cinzento. Não fiz queixas nem exigências. Elogiei a espuma e a força do encontro na rocha , que logo se esbatia em suavidade. E ela, a onda, multiplicava-se em salpicos, agradecendo. Isto é cá uma interpretação muito minha, desta proximidade. Expressei-me a partir de cima, de uma espécie de amurada.  Procurei ângulos diferentes: ali, só a espuma me ouvia, só a onda me entendia, e o constante movimento, a  repetição do som, do movimento… fez-se silêncio. Falou o mar.

leça

Podia ter sido num sítio qualquer. Pois podia. Foi em Leça da Palmeira.

desabafos em rodapé

há coisas que não se explicam

ainda ontem era verão. verdade? hoje, no entanto, uns pingos de chuva bastaram para   estar já tomada de um tom muito «jingle bells». insidioso, matreiro, insinuou-se naquele largo de um certo shopping que só visito in extremis, e instalou-se com grande atrevimento. sem dar conta, já tinha as mãos ocupadas, e plenas de certeza que devia trazê-los.

natal

apanhei-os desprevenidos, mas reparo agora, que pode ter havido uma inversão de papeis, e quem foi apanhada desprevenida, fui eu, mas isto passa-me. deixai vir janeiro.