coisas minhas, desabafos em rodapé

dizem que chegou o verão

Ver para crer, como São Tomé. Eu e o ceticismo somos muito afeiçoados. Nem tudo o que o calendário afirma é verdade, e de resto, se eu estivesse estado atenta, tivesse feito registos, folhas excel, nesse frenesim que agora se vive por todo o lado, sem esquecermos as plataformas, todas muito importantes e sempre cheias de pressa para se sentirem preenchidas ( devem vir cheias de complexos que só um bom psicanalista trataria), mas enfim, teria agora registos das temperaturas normais para a época, e podia compará-las entre o período em que o a estação do ano foi tratada com respeito, com “V grande”, em relação aos tempos que correm , onde foi reduzido ao “v pequeno”.  Este é o seu modo de vingança.

-Querem verão? Façam-me Verão, e assim entraremos em acordo.

(possível monólogo de uma estação do ano, que não se compadece com esta redução da sua importância. Tirando a questão das alterações climáticas – há quem diga que são uma invenção dos chineses- o Verão, merecia, tal como os restantes companheiros, nunca terem sido reduzidos no tamanho da letra.) Perdeu-se alguma grandeza, e de quando em vez, ganha-se em exagero,  no domínio da transpiração, por exemplo. Também não havia necessidade.

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desabafos em rodapé

crianças e bonecas. 1 de junho?

não sou a melhor pessoa para falar de bonecas. nunca gostei de brincar com elas. no entanto, pessoas atentas, e cheias de bom senso, transformaram o estereotipo num projeto bem mais interessante e bem  adequado ao publico alvo. pode ler-se aqui:

https://www.sabiaspalavras.com/artista-retira-maquiagem-de-bonecas-e-transforma-as-em-criancas-reais/?fbclid=IwAR0sbnyI0_57l2RPMGb4lmi2UFvsTUtahBNz80Ia0QWnDIK9xur0Ogh_koc

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coisas minhas, desabafos em rodapé

lá muito, há algum tempo,

era verão. tinha iniciado as lides aqui, em desabafos, e já num sofá cinzento. naquele dia, querendo produzir texto, atirei-me a um anúncio para que depois de supostamente escalpelizado, pudesse dizer de minha justiça. nesse dia, a minha pessoa estava zangada com a pátria. escrevi-o desta forma, vírgula, dois pontos:

Nós aqui temos tudo“; assim se diz num anúncio televisivo a uma marca portuguesa de cerveja. Este spot publicitário num segmento de tempo curtinho, lembra-nos tudo aquilo que temos de tão bom. Depois, acaba o intervalo, vêm as notícias…e pronto, acabou-se o estado de enlevo pela pátria.  A realidade entra-nos pelos olhos dentro. Não há marca de cerveja que nos valha nestas alturas.”Nós aqui temos tudo”! De facto, é verdade, mas falta-nos alguma coisa. Sei que sim, senão, não tínhamos chegado a este estado de coisas!

“este estado de coisas” fica à interpretação de cada um. a mim, parece-me que posso continuar zangada.  são vinte e três horas e onze minutos. boa noite e obrigada.

coisas de cabeleireiro, desabafos em rodapé

e chamou-lhe feio.

A acabar de receber umas escovadelas num cabelo que já viu melhores dias, o costume da semana, aliás, nada de especial, quando ouço o seguinte comentário, provindo de uma leitora de revista semanal, cheia de conteúdo social: ” esta Irina, tão bonita, e com um homem tão feio, mesmo feio, não o queria nem dado…” Feio. Chamou-lhe feio, (ao  Bradley Cooper) em voz alta, sem pudor.  Herege.

coisas minhas, desabafos em rodapé

palavras ao mar

 

Falei ao vento, ao mar salgado. Estava  o dia cinzento. Não fiz queixas nem exigências. Elogiei a espuma e a força do encontro na rocha , que logo se esbatia em suavidade. E ela, a onda, multiplicava-se em salpicos, agradecendo. Isto é cá uma interpretação muito minha, desta proximidade. Expressei-me a partir de cima, de uma espécie de amurada.  Procurei ângulos diferentes: ali, só a espuma me ouvia, só a onda me entendia, e o constante movimento, a  repetição do som, do movimento… fez-se silêncio. Falou o mar.

leça

Podia ter sido num sítio qualquer. Pois podia. Foi em Leça da Palmeira.