desabafos em rodapé

exposição

à chuva, ao nevoeiro, e a uma certa aragem carregada de frio vindo de sítios muito conhecidos pelos especialistas que nos informam sobre alertas de cores vibrantes, e que carregam avisos muito concertados com a palavra cautela. a exposição fez-se logo de manhãzinha, e com o correr do dia, muitas eram as pessoas também a colaborar no mesmo desafio, e depois com as horas corridas, que o tempo não tem misericórdia, expõem-se as luzes lá fora,  muito amarelas, vertidas por lâmpadas colocadas em candeeiros muito altivos, mas que nos fazem o favor de se curvar um bocadinho lá em cima, num ato carregado de bondade e amparo,  e o dia quase no fim, e agora o recolher, todo ele muito discreto, de certa forma apático no ser e no atuar, e que importa, no fim tudo se conjuga, entre o muito que o  dia exigiu, e o pouco que se espera que lhe esteja reservado lá mais para o fim. está um senhor a cantar com voz melodiosa “it’s up to you New York”, ele lá sabe as conversas que tem a esta hora do dia. as minhas, também só eu é que sei, sem exposição, nem exibição, assim muito cá para dentro, apesar de não parecer. mas é.

 

coisas minhas, desabafos em rodapé

a senhora vai ralhar-me!

isto passou-se num sítio.

a loja, situada no outro lado do passeio por onde eu me deslocava, numa rua, que tanto pode ficar à nossa direita, como à nossa esquerda, tresandava a brilho e objetos para alindar dezembro caso nos apeteça, senão, ninguém leva a mal. entrei. as prateleiras, muito alinhadas e outras nem por isso, parece desarrumação, mas não é, exalavam cheiros e projetavam cores que cada um podia sentir à sua maneira, e eu resolvi sentir cá duma forma muito minha. fixei-me nuns globos, base de madeira e vidro redondinho a fazer de telhado.  os globos, tantos e de diferentes tamanhos com aqueles bonequinhos lá dentro muito sossegados e obedientes, estavam a pedir uma sacudidela. escolhi aleatoriamente. aproximei-me  e virei-o. se calhar, a senhora vai ralhar-me, pensava eu, enquanto manuseava aquele globo e via cair as partículas branquinhas, que estavam sossegadas lá naquele chão, rodeadas de um líquido muito transparente e que depois se entregavam em doce conluio, e os dois, o líquido e as partículas hipnotizavam e faziam parar o tempo, ali, só um bocadinho, é certo, mas mesmo assim, hipnotizava. e a senhora da loja? será que me vai ralhar se eu virar outra vez tudo de cabeça para baixo? e eu virei, de novo, numa atitude muito rebelde, subversiva, sim, que ali havia ordem que eu estava a desestabilizar, e não me ralei nada, e sabia que havia câmaras e alguém podia tentar um match, como nos filmes e séries policiais…um programa que gira a grande velocidade, muitos pontinhos, linhas e manchas muito percetíveis e quase de certeza a descobrirem a minha identidade criminosa, numa qualquer base de dados, onde eu constasse como “agitadora de globos só porque sim”, e logo a seguir um alerta de perigosidade sobre mim haveria de recair, e depois fui pagar uns castiçais muito prateados que retirei de uma outra prateleira também muito arrumadinha. quando saí, o globo ainda se ressentia dos movimentos a que foi sujeito. saí incólume.

desabafos em rodapé

publicidade institucional

após uma ronda bem sucedida por blogues que continuam a produzir boas narrativas, dei-me conta que devo ser persona non grata nalguns deles, pois não aceitam o meu comentário com chancela de wordpress num jeito de desabafos a partir de um sofá cinzento. haverá incompatibilidade entre blogger e wordpress? pois não sei, o que é certo é que em “atravessado” quis deixar pegada. resultado: negado. mas há mais neste registo, pena estar com pouco tempo para enumerar.

já em https://aesquinadatecla.blogspot.com fui bem recebida e lá me identifiquei como visitante com boas intenções, assim como em o cantinho da janita , não correu mal a semana passada, também em a voz à solta…mas na maior parte, parece-me haver problemas. má vontade? não creio. se me puderem esclarecer, agradeço. e desculpem os meus leitores que não sofrem destas crises, por tê-los trazido até aqui, com motivações pessoais e quase egoístas, mas só quase. o título também endromina, mas então…boa noite.

5 de novembro, 21h36 minutos. só para situar melhor. o cálculo da latitude e longitude deixo para os mais perfecionistas

coisas minhas, desabafos em rodapé

era princesa, mas tinha asas

-não! assim, era só mesmo uma fada!

-não, não, era mesmo princesa. tinha coroa!

-de certeza? não haverá dúvidas?

-nenhumas! princesa! com asas!

-seria então, princesa das fadas.

-seria.

-e tu acreditas?

-em quê?

-em princesas fadas.

-claro que sim,

-porquê?

– sei lá! talvez porque as asas levam, e quem for mais longe, eleva-se.

-isso é lá explicação.

-cada qual explica como sabe.

-ou como lhe convêm , na ignorância do que há de dizer.

– queres um scone?

-pode ser. e a geleia?

-não tenho, deve ter sido alguma fada qua a levou.

desabafos em rodapé

640 palavras

a estatística é uma arte de precisão. tenho aqui a informação que , ao todo, até hoje, ao longo deste dois mil e dezanove , 640 palavras foram aqui debitadas.

pouquinho, portanto, ou nem por isso, mas aconteceu que, dia após dia, mês após mês, saltei a semana, não faz mal, o afastamento foi de tal ordem, que só agora reparei que me fiquei por um anúncio de verão, assunto mais que fastidioso, tal como aquele do café que nos põe a ler estudos que afirmam fazer mesmo bem à memória, e depois questionamos se na realidade, o chocolate preto é que é. Esta falta de assunto, apesar do muito folclore que à nossa volta vai desfilando, logo, assunto é o que há mais, mas são tão sérios, que!! obrigada!! mas não! levou-me a deixar registo sobre o cinzento do dia de hoje, os matizes são diferentes, não posso ser acusada de repetição, até porque acabei de saber há pouco tempo que  a cerveja preta faz muito bem ao cabelo e à pele. daí que…

coisas minhas, desabafos em rodapé

dizem que chegou o verão

Ver para crer, como São Tomé. Eu e o ceticismo somos muito afeiçoados. Nem tudo o que o calendário afirma é verdade, e de resto, se eu estivesse estado atenta, tivesse feito registos, folhas excel, nesse frenesim que agora se vive por todo o lado, sem esquecermos as plataformas, todas muito importantes e sempre cheias de pressa para se sentirem preenchidas ( devem vir cheias de complexos que só um bom psicanalista trataria), mas enfim, teria agora registos das temperaturas normais para a época, e podia compará-las entre o período em que o a estação do ano foi tratada com respeito, com “V grande”, em relação aos tempos que correm , onde foi reduzido ao “v pequeno”.  Este é o seu modo de vingança.

-Querem verão? Façam-me Verão, e assim entraremos em acordo.

(possível monólogo de uma estação do ano, que não se compadece com esta redução da sua importância. Tirando a questão das alterações climáticas – há quem diga que são uma invenção dos chineses- o Verão, merecia, tal como os restantes companheiros, nunca terem sido reduzidos no tamanho da letra.) Perdeu-se alguma grandeza, e de quando em vez, ganha-se em exagero,  no domínio da transpiração, por exemplo. Também não havia necessidade.

desabafos em rodapé

crianças e bonecas. 1 de junho?

não sou a melhor pessoa para falar de bonecas. nunca gostei de brincar com elas. no entanto, pessoas atentas, e cheias de bom senso, transformaram o estereotipo num projeto bem mais interessante e bem  adequado ao publico alvo. pode ler-se aqui:

https://www.sabiaspalavras.com/artista-retira-maquiagem-de-bonecas-e-transforma-as-em-criancas-reais/?fbclid=IwAR0sbnyI0_57l2RPMGb4lmi2UFvsTUtahBNz80Ia0QWnDIK9xur0Ogh_koc

blog

blog 2