desabafos de janeiro

o problema da natalidade

encolheu. há uma inversão, mas houve a preocupação há uns tempos de criar uma comissão para estudar o problema. as etapas que subjazem ao seu nascimento, devem ter sido, mais ou menos estas:

escolheram-se os membros, estudaram-se as benesses, verificaram se toda a gente conhecida foi contemplada com qualquer coisinha, e finalmente, reuniram o grupo de trabalho. uma vez completo, analisou, refletiu, usou de verborreia, mas depois aconteceu isto:

“Há cinco anos, criou-se uma comissão para debater a questão da natalidade, mas não houve uma política efectiva, apenas pequenas medidas, sem uma estratégia nacional. O país não decidiu que um dos seus grandes desígnios era aumentar a natalidade. Ao nível das políticas, há um discurso simpático que não é acompanhado de políticas efectivas.”

A comissão debateu, mas certo, certo, é que mais valia ter estado quieta. então para quê o dinheiro que se gastou com isto? deduzo que devem ser necessárias para ir ocupando pessoas arregimentadas.

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crónicas, desabafos em rodapé

perguntas de resposta fácil

para efeitos de contextualização, estava eu numa pastelaria, barra , padaria, lugar de encontros, de prática de gula, de pecados extremos expostos sem pudor em vitrinas muito transparentes, quando alguém que estava na fila imediatamente atrás da minha pessoa, estende um braço, e dispara rápido com entoação própria de quem vai colocar uma questão, dois pontos com mudança de linha.

– por favor, informe-me sobre os pães de sementes. quais as diferenças entre eles?

–  as sementes – responde a senhora de uniforme claro, com acentuação pesada de admiração por tal pergunta, e com forte acentuação de sílabas proferidas de certa maneira de quem veio lá do leste , e já aprendeu esta língua de líricas, ensaios e longas narrativas. e fez-se logo ali um nadinha de  silêncio.

portanto, no fundo, este registo relata apenas e só o seguinte: uma senhora queria saber qual a a diferenças entre os pães de sementes, e a outra senhora respondeu-lhe que a diferença estava nas sementes. podia estar na massa. nas farinhas, ora essa. ou não podia? mas gostei muito.

coisas minhas, desabafos em rodapé

já sabiam?

CNN diz que a gastronomia portuguesa é o segredo mais bem escondido da Europa!

é por tudo isto que me faz uma certa confusão saber que existem entidades que promovem o país e , das duas uma, ou a promoção sofre de défice, ou anda muita gente distraída. sendo assim, o azeite, para mim, o de Trás -os -Montes, que para lá do Marão mandam os que lá estão, e o azeite é ótimo (prefiro ao alentejano). depois vêm os elogios ao peixe, e ao cozido à portuguesa, estão ambos na minha lista de preferências, obrigada e siga para um ponto de admiração face à razão por que o nosso queijo não é mais conhecido, será melhor perguntarem aos franceses e aos italianos que eles explicam. já as tripas à moda do Porto, eu, nem à moda de mais sítio nenhum, passo. o presunto, não, fica já aqui, assim como um bom cabrito assado. pregos e bifanas em dias de juventude tiveram o seu auge, independentemente da sua origem, que aquilo à saída de uma discoteca ( quando eram lugares mais seguros, e tínhamos  a certeza que não levávamos um sopapo de um qualquer segurança), marchavam com leveza e propriedade. e terminam com o pastel de nata, esse hino, esse ícone da pastelaria. seja a massa folhada crocante, comme il faut, e temos o céu na boca. parece-me que ficou a lista incompleta. alguém lhes envie mais informação que eles são pessoas para verificar que isto não esgota. há aqui um universo…

bom apetite.

coisas minhas, desabafos em rodapé

o mundo visto do telhado

com caleira pelo meio e a intensidade de uns olhos azuis.

era um espreitar, era de manhã. era mais uma vez o dono de uma orelhas pontiagudas, olhos azuis penetrantes e uns bigodes necessários à vida. a vida fazia-se difícil, pois as temperaturas baixaram. nada que atrapalhe este alpinista de telhado coberto de telha vermelha cozida em forno em temperaturas elevadas –  a contrastar com  a manhã, já se vê – só que, raiando o Sol, mesmo com intensidade mediana, encorajava os mais hesitantes a espreitar o mundo, com letra minúscula. mesmo assim, esse mundo, aparentemente, tem todo um universo de possibilidades. que o diga o protagonista  enquanto espreita a possibilidade de entrar no terceiro esquerdo, onde convivem umas criaturas estranhas: umas de pelo amarelo, outras de pelo branco, e ainda uma espécie de lumberjack que, junto a uma entrada , ora parece que lhe barram o caminho, ora parece que o esperam numa comissão de boas vindas. é tudo uma questão de perspetiva. o segredo está no ângulo.

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há seguramente reflexão neste olhar, e cautela no agir.

lumberjack.jpg_2                                                                é francamente dúbio.

boa semana.

 

coisas de natal, coisas minhas, desabafos em rodapé

ordem de despejo

foram-se os Reis e ficaram os dias encolhidos com frio e pingos de chuva, à espera que se cumpram prazos. não foi o caso. ficámos ainda em convívio fraterno mais uma semana. mas agora que os papeis da ordem de despejo estavam já assinados e carimbados por entidades que muito percebem do assunto, fizemos uma fotografia de grupo e despedimo-nos. Processed with VSCO with a6 preset

até daqui a uns meses.

desabafos em rodapé

borda d’água

Janeiro
“Bons dias em janeiro enganam o homem em fevereiro”

Lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno, como a da batata, iniciando-se onde for possível, a plantação precoce. Semear fava, ervilha, alface e rabanete.
No Norte e no Centro – semear couve-galega, nabo, nabiça, rabanete, salsa e tomate.
No Sul – semear cenoura, couves, ervilha, feijão, nabiça e tomate.
Em estufa ou cama quente – plantar pepino, melão, pimento. Semear canteiros de cenoura, alho, cebola, alface, ervilha, alho-francês e salsa.
Na Horta – semear (em canteiros ou alforges bem abrigados e defendidos das geadas) alface romana, couve repolho, e rabanete.

conselhos úteis para evitar surpresas no domínio do cultivo amador.