coisas minhas, desabafos em rodapé

as rolas na minha janela

enquanto a água fustiga com força, todo o espaço aberto que vejo destes vidros que já gostavam de ver um Sol dinâmico, com vontade de aquecer alma e coração, duas rolas protegem-se deste banho forçado, no parapeito da minha janela. no entanto, bastou um movimento brusco, uma tentativa saloia de as captar rapidamente naquele enquadramento molhado e sombrio desta manhã tão chuvosa, e as  duas, em uníssono, bateram asas e voaram. mal deu tempo para lhes apreciar o volteio, de tão rápido que foi, numa tentativa, penso eu, de se recolherem num novo abrigo. deixei de as ver, e voltei ao teclado monótono, que hoje me vai dar música por muitas e boas horas. se me doerem as costas, há infinitos vídeos que ajudam a descomprimir, outros com a melhor receita de pão, bolos ou pudins cremosos, para além de receitas apenas com legumes, para evitar abusos…eu falei em rolas, não foi? onde a conversa já vai.

bom fim de semana, sem hífen.

eu gostava dos tracinhos no fim de semana. parece que o dividia melhor. isto do open space, às vezes, desorganiza. talvez fale nisto, noutra conversa. tanto posso ter vontade de falar no hífen, ou só no fim de semana, ou até do open space. tudo em aberto, portanto. também gosto de colocar palavras em itálico, mesmo que não seja preciso, mas só às vezes.

desabafos em rodapé

quase silêncio

são minutos de um total silêncio que ecoa à minha volta, se não fosse o barulho do elevador, que de repente se levantou, tinham sido minutos de total ausência do exterior.

aqui, no Lote-10, 3º esquerdo, estes momentos são muito apreciados, é que a realidade anda muito ruidosa, demasiado estridente, até fere, daí apreciarmos muito o quase nada de barulho.

e agora gostaria muito de terminar com uma frase bonita que alguém tivesse debitado sobre silêncio, palavras e momentos. como não conheço nenhuma, talvez por uma impreparação total nesse segmento, deixo só votos de uma boa noite.

desabafos em rodapé

10:42 da manhã

a manhã começa igual ao dia de ontem: um sono bastante persistente numas pálpebras que teimam em fechar-se teimosamente. a culpa é do anti- histamínico  que nesta altura do ano, questiono sempre a sua eficácia, sem no entanto, o poder abandonar. depois, o que se que segue é o de sempre, sem grandes variações. a única, hoje, bem diferente de outros dias, é que depois de ter encerrado um assunto de trabalho, vou mesmo poder não fazer nada o resto da manhã ( à tarde, já é outra conversa). e não fazer nada  o resto da manhã, é algo quase virtual no meu dia a dia, e está a acontecer.

desabafos em rodapé

propostas

li algures como proposta para passar o tempo nestes dias de resguardo- a palavra quarentena, é tão rígida –  abrir parênteses (está mais que visto, que eu gosto mesmo é de eufemismos) fechar parênteses, então, dizia eu, vi que podemos enriquecer estes dias ajudando os cientistas a identificar pinguins em imagens de satélite, ou a procurar galáxias. Achei bem interessante, e vou agora começar a procurar agulhas num palheiro. só para treinar. depois é que vou dar uma ajuda à ciência, já mais preparada.

coisas minhas, desabafos em rodapé

um certo medo…

 um certo medo que, a par do distanciamento social, se comece a desenvolver um certo distanciamento emocional: números crescentes, imagens e testemunhos pungentes a rodos, até tenho medo que façam mais mal que bem; que anestesiem e nos levem a um virar costas apelidado de profilático, a bem da saúde mental: não quero ouvir, não quero saber, eu estou bem, eu estou bem…fechem as portas…

terça-feira, 31 de março, dia cinzento e pingudo

 

 

coisas da vida, coisas minhas, desabafos em rodapé

estou indecisa

apareceu-me um teste enviado por uma entidade que não conheço muito bem, a propor-me que escolhesse uma imagem escura, para perceber se eu sou psicopata. ainda hesitei: faço, não faço? mas depois, não fiz, porque sei que sou muito psicopata ao nível de querer esganar todos os irresponsáveis que por esse mundo desafiam aquilo que as pessoas mais esclarecidas recomendam. acho que fiz bem em não gastar tempo numa evidência que já sei que me assiste nestes casos mais agudos que a estupidez humana contempla. por estes dias há muito que fazer para nos mantermos mentalmente sãos, afinal, em casa, pelo menos por agora, não nos falta nada, – tomara que todos o pudessem assim afirmar – daí que não nos pareça tudo assim tão negro. há quem esteja a cuidar para que nós possamos beneficiar de um amanhã mais calmo. que chegue depressa, e não desesperemos.

fiquem bem.